quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Jesus de Montreal




Uma paróquia tradicional da católica cidade de Montreal contrata um grupo de teatro avant-garde , para encenar a tradicional representação anual da paixão de Cristo . Os grupo apresenta uma versão moderna e atualizada da estória , mas ao mesmo tempo desconcertante e audaciosa , onde se questiona até a real natureza de Jesus Cristo.







Obviamente isso enfurece as autoridades eclesiásticas locais , ainda mais porque a peça se torna um sucesso de crítica e de público. O filme é todo narrado de tal forma que os eventos encontram um paralelo com a narrativa dos evangelhos. Daniel, o jovem ator que interpreta jesus, é Jesus. O Jesus de Montreal, que progressivamente, conscientemente ou não, começa a incorporar seu personagem em sua vida cotidiana. Diversas passagens da vida do Cristo estão cifradas na narrativa, que de maneira simbólica representam os pontos chaves de sua trajetória, então é preciso estar atento. 


                      



Titulo original : Jesus of Montréal
Diretor: Denys Arcand
Ano: 1989
País : Canadá / França
Awards : Globo de Ouro / Cannes / BAFTA / Toronto International Film Festival / Seattle International Film Festival / Genie Awards / Oscar 

Dr Fantástico






Um dos filmes mais queridos por mim, de todos os tempos, em que Kubrick abordou de maneira satírica o pavor nuclear que pairava durante os anos da guerra fria , destacando toda a imbecilidade dos homens que governavam o planeta , às portas da detonação de um artifício de aniquilação total, e a impagável corrida contra o tempo para que o pior não aconteça . É o filme definitivo sobre guerra fria. E Kubrick escolheu contar o absurdo desta história através de uma comédia de humor negro, com a fina irônia típica dos mestres, que sabem como ninguém estruturar o diálogo entre o trágico e o cômico. Dos absurdos da história só nos cabe achar graça afinal. 






Esse filme é uma obra fundamental para a história da arte, para a história do cinema, e também para história do século XX. Um filme que tem inúmeras maneiras de ser abordado. Através de sua estória que gira em torno da máquina do juízo final, ele nos lembra que uma guerra de aniquilação total, ao contrário da dureza de todas as outras guerras, não oferece nenhuma lição para a humanidade, que deixaria simplesmente de existir. O filme mostra uma crise de comunicação entre os todos poderosos, e explora o caráter fálico do artefato de destruição em paralelo com o caráter fálico do poder, do gosto pelo poder. Não por acaso, o nome de todos os personagens são referências sexuais, como por exemplo Jack o estripador, King Kong e Mandrágora (planta afrodisíaca). Cada qual com sua libido de destruição em alta. A emblemática sequência do míssil-fálico guiado pelo militar-cowboy se tornaria uma imagem-símbolo do pensamento arrogante e belicista da América, mas é também uma bela alegoria de Eros e Tânatos unidos finalmente, rumo à destruição.




Stanley Kubrick foi um mestre que dominava perfeitamente a linguagem , e cada filme seu transparece sua marca pessoal. Eu pessoalmente senti bastante a morte dele , justamente num momento em que eu me achava completamente ligado em sua obra.  


Egresso da fotografia, autodidata, ele era a personificação do cinema: roteirista, produtor, diretor, cameraman, engenheiro de som e editor. Dirigiu parcos 13 filmes em toda a sua longa carreira, mas cada um deles resultou numa peça fundamental. Sua técnica apurada e seu perfeccionismo beiram o comovente. Era um impressionista, deixando ao espectador a tarefa de formular a interpretação pessoal de seus filmes. Um ávido cinéfilo, um intelectual natural, que aliás foi um péssimo aluno na escola. Foi seu amor pessoal pelo cinema autoral europeu que moveu suas intenções como cineasta, e acabou por resultar na construção de uma cena semelhante nos EUA, a "renascença" do cinema americano, que colocava fim ao sistema de estudios que havia dominado a industria daquele país desde a invenção do cinema falado. Mas isso já é uma outra história ... 

Titulo Original : Dr. Strangelove or How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb
Ano : 1964
Diretor : Stanley Kubrick
País : UK / USA
Awards : British Academy of Film and Television Arts / London Film Festival / New York Film Critics Circle / American Film Institute / Oscar (indicação em várias categorias)



                  

Antonio Gaudi







Esse é um documentário Japonês focado nas obras do brilhante arquiteto catalão Gaudi . Sem se prender à dados biográficos ou históricos (praticamente não há narrativa ou diálogos) e com uma trilha sonora de ruídos à la Sonic Youth , o filme se baseia na contemplação das obras de poder quase alucinatório desse grande artista , suas influênciais naturalistas , e do seu legado ao patrimônio artístico da humanidade. Com sua mistura de influências que passam pelo Mudejar, naturalismo , Fauvismo , Art Noveau ; Gaudi espalhou arte pelos parques e monumentos de Barcelona , confirmando a manjada máxima de que a cidade é mesmo um "museu a céu aberto". 

O diretor dá ainda uma geral pela cidade de Barcelona, pelo bairro gótico, e sobretudo, mostra belas imagens de afrescos Românicos, forma de arte pela qual a região da Cataluña é célebre. Um filme sereno e muito bonito , um verdadeiro rivotril cinematografico.


                        



Titulo Original: Antonio Gaudi
Diretor : Hiroshi Teshigahara
Ano : 1986
Pais : Japão
Awards : Nenhum


terça-feira, 29 de setembro de 2009

Ultrachrist !!







Após dois mil anos vivendo nos céus em estado de graça , Cristo retorna à terra , e percebe que as coisas não são mais como costumavam ser : Em uma New York pecaminosa e louca Jesus não consegue se adequar aos costumes atuais , e entra em conflito existencial por conta de seus modos um tanto ingênuos. Com isso não consegue concluir o propósito de sua segunda vinda , que é o de estabelecer o seu reino na terra .




Para piorar terá que enfrentar uma liga do mal enviada pelo próprio anticristo , composta por célebres pecadores: Nixon , Hitler , Jim Morrison (sim, Jim Morrison era um babaca !) e o conde Vlad. Para isso conta apenas com a ajuda de uns poucos excêntricos bem intencionados , que não deixam o messias cair em tentação.




Claro que o resultado é um divertido desfile de insultos e heresias impagáveis , nesse simpático filme independente e despretencioso , claramente feito na base da brodagem , e que sem ter a intenção de ofender ninguém , com certeza o fez ! Pra quem gosta de fuleiragem é imperdível.

 
Titulo Original : Ultrachrist !
Diretor : Kerry Douglas Dye
Ano : 2003
País : USA
Awards : Berkeley Video & Film Festival / Philadelphia Video Festival (Best Comedy)

L' Aventure C'est L' Aventure





O filme se inicia numa França onde os debates políticos e ideológicos ainda eram a ordem do dia ,  na ressaca dos movimentos estudantis socialistas do final dos anos 60 . O diretor Claude Lelouch clareia as idéias na base da paródia , nesse filme satírico e completamente anarquista / anarquico , que conta a história de 5 amigos que após fracassos nos negócios sujos pessoais resolvem ingressar na vida do crime (de "marxistas" a "Grouxo Marxistas"), organizando sequestros de celebridades, grandes trapaças , atos terroristas e afins . Filmado numa época em que a França e o mundo viviam um momento "politizado" jamais visto. Tanta ideologia, análise sociológica e teorias sociais seduziam uma horda de intelectuais e acadêmicos, mas Lelouch achava era mesmo graça de tudo isso. Aí eu digo, gênio !  





Pelo caminho, os cinco bandidos cruzam com um general rebelde de alguma republiqueta latina (Gen Suarez - claramente Fidel) , e sobra até para o Papa. É um fime ideológicamente anárquico, debochado, sem noção (aqui uma qualidade) uma espécie de filme dos trapalhões com ares franceses , talvez essa seja a melhor definição , mas com certeza o filme tem seus bons momentos. Claude Lelouch era jovem ainda , e parece que estava mais era a fim de cagar na cabeça de todo mundo mesmo, numa época em que as pessoas estavam levando as coisas muito à sério. Esse filme é a constatação bem vinda de que, em ultima análise, politica, igreja, comunismo, showbizz, tudo não passa de uma farsa afinal.

Curiosidade suplementar, o primeiro a ser sequestrado pelo grupo é o ícone do Rock francês, se é que isso existe, Johnny Hallyday. O cara existe mesmo, e é a Tour Eiffel do rock francês  !



               


Titulo original : L'Aventure, c'est l'Aventure
Diretor : Claude Lelouch
Ano : 1972
País : França / Itália
Awards : Nenhum

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Cléo de 5 às 7





Uma bela porém frívola cantora aguarda com ansiedade pelos resultados de alguns exames médicos que realizou . Durante as duas horas descritas no titulo , que se passam em tempo real , ela vive um turbilhão de emoções e reflexões enquanto roda por variados locais de Paris , confrontada com a possibilidade de sua própria mortalidade e da imagem superficial que projeta (simbolicamente representada por espelhos no filme). Trata-se de um belo filme, lírico, e com o evidente toque feminino da direção precisa de Agnès Varda, diretora com formação em psicologia e jornalismo que se tornou célebre junto com a geração da Nouvelle Vague.  Na verdade Varda precede o movimento, e mesmo, o influenciou.






Agnès Varda, ainda viva, e hoje considerada um monumento do cinema e do patrimônio cultural francês, fazia parte do "grupo da margem esquerda" do movimento. Esse sub-grupo de diretores ( que incluia também seu esposo Jacques Demy, Allan Resnais, entre outros), compartilhava o mesmo espírito inovador da linguagem do cinema, porém eram igualmente interessados em artes plásticas e literatura, resultando em filmes que eram mais construções em torno destes temas, do que propriamente tentativas de se contar uma história. Geralmente mais velhos do que os "enfants-terribles" da "margem direita - Truffaut e Godard (que migraria mais tarde para a esquerda) - estes diretores também possuiam fortes convicções políticas de esquerda. Neste filme, inclusive, Varda dedica uma atenção especial à guerra Franco-Argelina de independência. Mas ambas as "margens" do movimento, direita e esquerda, se admiravam e conviviam muito bem.


Vários elementos comuns à Nouvelle vague são interessantes neste filme. Seu ar documental, Paris como um personagem da história, e a existência de um "filme dentro do filme". Neste curta metragem inserido na história principal, Varda apresenta a amizade de dois casais de diferentes gerações, o que representa justamente a interação da Nouvelle vague com seus mestres. O casal mais novo é composto por ninguém menos que Godard, que dispensa comentários, e sua musa Anna Karina. Outra conexão interessante deste filme é a presença de Michel Legrand, igualmente responsável pela musica, mas também atuando (como o pianista Bob), o que acredito ser sua unica aparição como ator. Legrand é um dos maiores "trilheiros" da história do cinema, dos dois lados do Atlântico, Foi também parceiro inseparável do esposo de Varda, Jacques Demy, com que criou os genialmente bizarros musicais que lhes valheram a fama. Enfim, Cléo de 5 às 7 é um dos filmes que mais gosto.





                 


Titulo original : Cléo de 5 à 7
Diretor : Agnès Varda
Ano : 1962
País : França / Itália
Awards : Cannes / Telluride Film Festival

Velvet Goldmine





O que aconteceu com o rock naqueles anos entre o fim da era paz e amor e a explosão da fúria punk ? O Glam rock e a sua estética over dos collants ,da maquiagem , da purpurina , e sobretudo da ambiguidade sexual . O filme mostra em flashback a trajetória da diva Glam máxima : Brian Slade (obviamente David Bowie) vivendo no limite entre a pessoa e o personagem que ele criou . O diretor Todd Haynes mescla muito bem uma boa história de ficção com fatos reais (sobretudo o babado que rolou entre Iggy Pop e David Bowie ) , e muitas referências a acontecimentos , lendas , nomes , lugares e canções ligadas a cena Glam , desde o titulo ate pequenos detalhes . Esse artifício de roteirização, conhecido como "film à clef", é utilizado frequentemente: uma história real disfarçada em ficção. O filme é também uma declaração de amor à época do disco , quando escutar um vinil do seu artista predileto era quase um ato solene.


Mas o Glam não era uma apenas uma pantomima , e não falta boa musica na trilha. Como Bowie se recusou a ceder os direitos de suas canções para o filme , a solução foi agrupar canções clássicas de outros artistas glam , à composições novas compostas / tocadas/ executadas por figuras como Thom Yorke (Radiohead), Mark Arm (Mudhoney) , Thurston More (Sonic Youth) - a banda Venus in furs - Bernard Butler (Suede) , e Brian Molko (Placebo) que assume a influencia glam dando as caras no filme como vocalista da banda Flaming Creatures. Ah , e um dos produtores do filme é Michael Stipe do REM. 

Todd Haynes é um diretor cujo grosso da obra é composto por filmes-biografias, reais ou disfarçadas de astros da música (Karen Carpenter Superstar, todo feito com animação de bonecas Barbie, e  Bob Dylan I’m Not There ). também é identificado ao movimento do Novo cinema Gay , que busca mudar a imagem através da qual a comunidade é retratada no cinema.

Titulo Original : Velvet Goldmine
Diretor : Todd Haynes
Ano : 1998
País : UK / USA
Awards : Independent Spirit Awards / Cannes Festival / BAFTA /  London Critics Circle Film Awards / Edinburgh International Film Festival / Oscar (indicação)

sábado, 26 de setembro de 2009

Uma Mulher sob a Influência








Nick é um rude, porém amável operário da construção civil que trabalha muito duro para manter a sua família de três filhos. Mas este não é o seu maior problema : ele é casado com Mabel, uma mulher emocionalmente instável, histérica borderline, no limiar de um surto psicótico. O resultado é um filme bastante denso e claustrofóbico, agradávelmente desagradável, um pouco assustador, sombrio, e bom de se ver no final de noite , estilo corujão mesmo. É um filme emblemático do cinema independente americano da década de 70, dotado daquele agradável " traço sujo" que me aproxima muito afetivamente deste tipo de cinema. Algo que e perdeu um pouco à partir anos 80, quando o excesso de técnica e uma certa pasteurização geral passaram a predominar.




Essa postagem é também uma homenagem a John Cassavetes (morto em 89) , o primeiro cineasta americano genuinamente independente , que tinha o mérito de trazer para seus filmes os "pequenos problemas" acerca da condição humana , sem transformar o resultado num dramalhão . E " Uma Mulher Sob Influência " é o máximo exemplo dessa estética , um filme que tem mérito no elenco e direção , muito naturais. Tamanha naturalidade não é fruto do acaso. Cassavetes era um diretor que dominava a técnica do cinema perfeitamente, mas escolheu uma carreira de realizador à margem de Hollywood

Ele foi um dos pioneiros da "renascença" do cinema americano, isto é, um realizador que rompia com o paradigma vigente dos "filmes de estúdio", onde o diretor era um mero empregado da industria, por sua vez muito mais interessada no potencial lucrativo do filme do que em seu valor artístico. Acabou sendo considerado um dos mais influentes realizadores do cinema americano.

Para alguns era um herói. Enquanto ator, atuou em filmes de prestígio em Hollywood (como O bebe de Rosemary), e chegou a dirigir aguns. Mas seu desejo era realmente o de ter controle total de sua obra, que consistia basicamente em estudos sobre o comportamento humano de pessoas comuns, pessoas que peidam. Desprezava o narrativa linear e o sistema "de estrelas" Hollywoodianas, mais interessadas em si mesmas do que no personagem a ser vivido. Ao contrário, prezava por um estilo de filmar documental, focado na espontaniedade dos atores, o que o colocava em sintonia aliás de seus congêneres da nouvelle vague francesa.

Seus filmes eram auto-financiados, feitos com grande dificuldade, com atores (geralmente amigos) que concordavam em trabalhar de graça, sem saber se o filme daria lucro ou não. Para realizar Uma mulher sob a inluência, por exemplo, vendeu a própria casa. Na ocasião do seu lançamento, não contou com um sistema de distribuição. Ele própio agendava as sessões, em pequenos cinemas art houses, cineclubes e universidades, onde ele e o elenco discutiam com o publico após as sessões.

Uma conexão que considero bastante interessante e relevante é a canção "Cassavetes" da banda punk americana Fugazi. Uma banda que muito mais do que se auto-proclamar independente e punk, o é de fato. Sempre se auto financiaram e bancaram seus próprios albuns e turnês, que incluem lugares como, por exemplo, auditórios de ecolas publicas caindo aos pedaços no interior do Brasil, ou qualquer lugar disposto à lhes acolherem. Nada mais natural do que terem escrito esta canção que homenageia o cineasta com o qual compartilham a mesmo integridade e estética, uma vez que seus discos são também bastante impenetráveis. Na letra da canção, classificam Hollywood como "pobre cidade da vergonha", ao lado de outras instituições moribundas americanas, que costumam atacar. E ainda "Controle total para cassavetes, vocês não podem comprá-lo !". Bonito ...

Titulo Original : A woman under the influence
Diretor : John Cassavetes
Ano : 1974
País : USA
Awards : San Sebastián International Film Festival / Golden Globe / Oscar (Indicação) / Kansas City Film Critics Awards  , entre outros .



                     


Parte 2 :



                     

Control







Ian Curtis é um garoto sensível e atormentado que tenta escapar do isolamento e ostracismo que impera na cinzenta Manchester em que reside (bem no meio de uma grave crise de status quo que abalava o Reino Unido nos fins da década de 70). Sua fuga se dava através de suas duas paixões : a poesia e o rock . Porém , sua tendência errática associada à sua singular condição mental , fazem com que as coisas terminem mal para o gênio-torturado.
O que soa como um bom enredo de ficção é na verdade a fiel biografia de Ian Curtis e da seminal banda punk Joy Division , o que por si só já faria do filme um item obrigatório .



O Joy Division é, em minha escala de influências, um dos exemplares máximos de sinceridade, musicalidade e atitude rock'n roll. Os quatro integrantes, cada um com sua personalidade e musicalidade peculiar sempre me trouxeram muita alegria (?!), seja como Joy Division ou New order. Música é tudo, e o silêncio é a morte. Unknown Pleasures, título que é por sua vez uma referência ao calhamaço de Marcel Proust, À procura do tempo perdido, é um dos meus discos favorito de todos os tempos. Acabaram, trinta anos depois se tornando um ícone da cultura popular, e hoje em dia vejo sempre alguém usando a camiseta (que eu também tenho) que reproduz a emblemática capa do Unknow Pleasures, saindo do mêtro. 


O resultado final foi brilhante : um filme que não peca no quesito biografia porque não toma nenhuma liberdade no roteiro,  além de magnificamente fotografado em preto e branco como convém o clima sombrio dos fatos , que dá ao filme um ar quase documental . É o retrato de um breve momento da cultura popular inglesa do final dos anos 70 e inicio dos 80 :  o advento da cena de Manchester.
Um belo filme , que agrada inclusive quem nunca escutou Joy Division , ou mesmo nem sequer gosta de rock , porque é cinema de boa qualidade (meus pais assistiram no cinema e adoraram). Anton Carbijn, o diretor, é um nome importante dentro da industria musical, sobretudo nos anos 80 e 90. É ele o fotógrafo que forjou a imagem de varias bandas com suas fotos em preto e branco de ar etéreo, sobretudo o Depeche Mode, U2 das antigas, Nirvana, e o próprio Joy Division.


                           



Titulo Original : Control
Diretor : Anton Carbijn
Ano : 2007
País : UK / Japão / Austrália
Awards : Cannes / BAFTA / British Independent / London Critic Awards / Stockholm Film Festival / Melbourne Filme Festival , entre outros


O Ultimo Portal




                           


Corso é um cético e pragmático negociante de livros raros em NY que recebe uma tentadora encomenda de um rico e influente homem de negócios interessado em ocultismo : encontrar a qualquer custo um antigo exemplar de um livro que trata de magia negra. Porém , no decorrer das buscas , Corso se dá conta que o livro carrega em si uma terrível maldição, e que talvez exista mesmo algo nele além do que os olhos podem ver.


                             


Eu sou um grande fã desse filme. De verdade. Já o vi muitas vezes, e pretendo continuar assistindo. Pra começar é um filme provocativo, pois trata de satanismo, um tema geralmente considerado tabu pelo senso comum, o que é uma bobagem, pois o diabo é apenas uma mitologia tão interessante quanto qualquer outra. Não e surpresa que o filme tenha falhado comercialmente nos USA, pois são um país muito temente à Deus, e naturalmente morrem de medo do Diabo.

Roman Polanski  é para mim um dos grandes diretores de cinema vivos. Sou um grande admirador, e deixou sua marca instigante nesse thriller bem atmosférico , detalhista , e de belas locações, que tem ao mesmo tempo um inegável feeling de sessão da tarde. Ele explora os clichês do ocultismo, retornando ao tema que fez célebre anos antes o seu seminal Bêbe de Rosemary, mas desta vez de maneira menos sombria, quase divertida.





Como o cinema é também porta de entrada para outros universos culturais, vale relembrar que o filme é baseado no livro do espanhol, Arturo Pérez Reverte, El club Dumas, que eu nunca li, mas um dia lerei, pois sei que foram feitas algumas modificações no roteiro. Como curiosidade, seu autor é um renomado jornalista-escritor-intelectual, figura emblemática da cultura espanhola contemporânea, e que foi repórter de guerra em inúmeros conflitos mundo afora, mas que agora se dedica à escrever ensaios bombásticos sobre a calamitosa situação atual da Espanha. Por ter criado O Ultimo portal, já mereceria um lugar no céu, caso o céu existisse.



Titulo Original : The Ninth gate
Diretor : Roman Polanski
Ano : 1999
País : França / Espanha / USA
Awards : Europe Film awards / Saturn Award / Golden reel awards / Taurus Awards

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Baixio das Bestas





Baixio de bestas é sem dúvida um dos filmes mais interessantes do cinema brasileiro a surgir nos ultimos tempos. Trata-se de um retrato cru e preciso do Brasil profundo, de verdade, mostrado através do cotidiano sórdido de uma cidade na zona da mata pernambucana (igual a centenas de outras Brasil afora), onde ainda persiste um sistema de classes que parece nos levar de volta à época das capitanias hereditárias.




Matheus Nachtergaele e Caio Blat estão realmente impecáveis como dois agroboys violentos , mas todo o elenco é irrepreensível. Vale destacar a bela homenagem à Kubrick ,( na cena do estupro no teatro) , que cita textualmente uma sequência de Laranja mecânica , filme aliás com o qual compartilha o mesmo espirito.
Claudio Assis, o diretor , é um grande cineasta , (sou um grande fã), dono de seu próprio discurso cinematográfico e sempre interessado pela condição humana,  está construindo uma filmografia sólida, coesa, e até agora impecável (Amarelo Manga é o seu longa anterior - filmaço ! - dei meu DVD para um colega americano, mas não me arrependo)


Enquanto a maioria dos exemplares da "retomada" do cinema brasileiro são filmes artificiais e sintéticos, os de Claudio são realistas, autorais e caprichados estéticamente, sempre orbitando ao redor da maneira como as pessoas se colocam frente aos seus desejos mais primitivos, o que posiciona seu cinema anos à frente da assepsia vigente. O próprio realizador já declarou certa vez que o cinema brasileiro atual é "feito por babacas", e eu temo ter que concordar com ele, pelo menos para a maioria dos casos. Um nome a ser respeitado e observado com toda a atenção.







Titulo Original : Baixio de Bestas
Diretor : Cláudio Assis
Ano : 2007
País : Brasil
Awards : Festival de Rotterdam (Vencedor) / Festival de cinema Brasileiro de Paris / Festival de cinema brasileiro de Miami / Festival de Brasilia

Jesus Christ Vampire Hunter



                                  

Jesus Christ Vampire hunter é o crossover cinematográfico mais bizarro de todo o universo trash , jamais criado : musical tipo broadway (Jesus Christ superstar), aventura tosca , artes marciais , blasfêmia descabida , vampiras lésbicas . Um filme B que é realmente um filme B, ao contrário de muitas produções que se valem do apelo estético do gênero, e se esforçam para emular uma produção independente. Não, aqui a coisa é pra valer. O filme é feio, sujo e malvado.

O enredo : Um gupo de vampiras lésbicas que se movem à luz do dia passa a atacar as moças de Ottawa em série , fato que preocupa grandemente o Padre Albarn (um Punk moicano) e o Padre Eustace ( com seu penteado afro e pinta de fora da lei). Consternados por suas " ovelhas caídas " pedem ajuda a ninguém menos que Jesus Cristo em pessoa , e daí pra frente tudo que se passa é estranho o suficiente para te deixar perplexo por uma hora e meia ...





O filme é cheio de personagens cativantes : Mary Magnum (Maria magdalena), Blind Lepper Joe (impagável) , Santos (baseado em El Santo, um lutador mascarado que existiu de verdade, um dos maiores ícones da cultura popular mexicana), Fifi (Um travesti bom samaritano). O filme é tão fuleiro e cativante que os religiosos nem precisam ficar gravemente ofendidos, o que poderia acontecer caso levem a parada à sério. Mas a verdade é que  a releitura da eucaristia se mostra até interessante em alguns momentos.



O filme é diversão de primeira, feito um momento antes dos vampiros voltarem ao mainstream. Escolhi este filme como primeira postagem, pois acho que é um autêntico filme independente, sem qualquer pretensão, como este blog que começa agora. 



Titulo Original : Jesus Christ Vampire Hunter
Diretor : Lee Gordon Demarbre
Ano : 2001
País : Canada
Awards : Santa Cruz Film Festival / Slamdance / The Fargo Film Festival / Zombiedance


                             



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