segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Cléo de 5 às 7





Uma bela porém frívola cantora aguarda com ansiedade pelos resultados de alguns exames médicos que realizou . Durante as duas horas descritas no titulo , que se passam em tempo real , ela vive um turbilhão de emoções e reflexões enquanto roda por variados locais de Paris , confrontada com a possibilidade de sua própria mortalidade e da imagem superficial que projeta (simbolicamente representada por espelhos no filme). Trata-se de um belo filme, lírico, e com o evidente toque feminino da direção precisa de Agnès Varda, diretora com formação em psicologia e jornalismo que se tornou célebre junto com a geração da Nouvelle Vague.  Na verdade Varda precede o movimento, e mesmo, o influenciou.






Agnès Varda, ainda viva, e hoje considerada um monumento do cinema e do patrimônio cultural francês, fazia parte do "grupo da margem esquerda" do movimento. Esse sub-grupo de diretores (que incluia também seu esposo Jacques Demy, Allan Resnais, entre outros), compartilhava o mesmo espírito inovador da linguagem do cinema, porém eram igualmente interessados em artes plásticas e literatura, resultando em filmes que eram mais construções em torno destes temas, do que propriamente tentativas de se contar uma história. Geralmente mais velhos do que os "enfants-terribles" da "margem direita - Truffaut e Godard (que migraria mais tarde para a esquerda) - estes diretores também possuiam fortes convicções políticas de esquerda. Neste filme, inclusive, Varda dedica uma atenção especial à guerra Franco-Argelina de independência. Mas ambas as "margens" do movimento, direita e esquerda, se admiravam e conviviam muito bem.


Vários elementos comuns à Nouvelle vague são interessantes neste filme. Seu ar documental, Paris como um personagem da história, e a existência de um "filme dentro do filme". Neste curta metragem inserido na história principal, Varda apresenta a amizade de dois casais de diferentes gerações, o que representa justamente a interação da Nouvelle vague com seus mestres. O casal mais novo é composto por ninguém menos que Godard, que dispensa comentários, e sua musa Anna Karina. Outra conexão interessante deste filme é a presença de Michel Legrand, igualmente responsável pela musica, mas também atuando (como o pianista Bob), o que acredito ser sua unica aparição como ator. Legrand é um dos maiores "trilheiros" da história do cinema, dos dois lados do Atlântico, Foi também parceiro inseparável do esposo de Varda, Jacques Demy, com que criou os genialmente bizarros musicais que lhes valheram a fama. Enfim, Cléo de 5 às 7 é um dos filmes que mais gosto.





                 


Titulo original : Cléo de 5 à 7
Diretor : Agnès Varda
Ano : 1962
País : França / Itália
Awards : Cannes / Telluride Film Festival

4 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Completa conhecidência daquels cósmicas : Li hoje no segndo caderno do Globo que a Agnès Varda tá no Brasil para o festival do Rio , Legal !!! Pô fico de cara com essas conhecidências ... A velhinha tá com 81 anos e ainda produzindo suas coisas .. Isso aí .

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  3. Esse filme me falou ao coração é uma verdadeira poesia, delicado, suave, sensível ... Arte de primeira!! Ah! A Paris "copacabanense", ou será Copacabana parisiense? Maravilhoso! "Não se apresse linda borboleta. Feiúra é um tipo de morte. E como sou bonita estou viva..."

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  4. Ainda refletindo sobre o filme, RJ, aliás, influência total de Paris... As impressões estão muito fortes em mim...
    Ganhei um presente muito especial !

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