sábado, 31 de outubro de 2009

Andrei Rublev


Esse fabuloso épico soviético, com mais de 3 horas de duração, é, além de um tesouro sagrado do cinema, um testamento da grandiosidade do que costumava ser o cinema russo nos anos do comunismo, cujo estúdio estatal Mosfilm era uma espécie de Hollywood vermelha, onde que todos os filmes eram necessariamente de interesse artístico (e por vezes ideológico). O legado desses filmes, e poucas vezes nos lembramos, está em muita coisa feita pelos cineastas ocidentais. O diretor Andrei Tarkovisky (considerado gênio em vida por ninguém menos que Ingmar Bergman) dirigiu esse filmaço quando tinha míseros ( e míticos !) 33 anos, baseado na vida de Andrei Rublev, monge ortodoxo do século XV, pintor de afrescos bizantinos, que é convidado a pintar a catedral de Vladimir. Mas em meio ao caos em que se encontrava a Rússia medieval, por um lado dividida politicamente e sofrendo sucessivas e brutais incursões de bárbaros tártaros-mongóis, e por outro sofrendo uma cristianização forçada que reprimia de forma violenta as tradições pagãs eslavas; Andrei acaba colocando a sua fé em dúvida por conta das barbaridades e massacres que presencia.


   

Por causa das muitas sequências controversas, o filme após estar pronto foi cruelmente mutilado pelos sensores estatais, e perdeu uma de suas três horas, sendo lançado em parte graças à sua pessimista impressão do clero ortodoxo. Apenas muitos anos depois foi restaurado no formato original (que é o deste release). Todo dividido em sete capítulos, onde o primeiro e o ultimo não se relacionam diretamente com a narrativa central, é um deleite de imagens e uma verdadeira obra prima para os adoradores de cinema, história e arte. Tarkovsky é um dos meus realizadores prediletos e este filme foi um dos motivos que me fizeram escrever este blog.

Titulo original : Andrei Rublev
Diretor : Andrei Tarkovsky
Ano : 1966
País : União Soviética
Awards : Telluride Film Festival




quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O medo devora a alma


Apenas 30 anos após o término da segunda guerra mundial, Rainer Werner Fassbinder dirigiu esse belíssimo filme que toca justamente na ferida mais incômoda da Alemanha: a do racismo e intolerância que levaram o país à derrocada três décadas antes. O filme conta a estória de um improvável relacionamento amoroso entre Emmi, uma solitária viúva alemã, e um imigrante marroquino mecânico de automóveis, com toda a série de dificuldades e constrangimentos enfrentados pelo casal em virtude da intransigência da família e da sociedade. O garoto prodígio Rainer Werner Fassbinder escreveu e dirigiu este filme com apenas 28 anos (e também faz uma ponta como o genro de Emmi), e já tinha o seu estilo e predileção por abordar em seus filmes temas controversos e personagens do submundo alemão, assim como o cotidiano de pessoas simples e comuns.



Rainer conhecia bem o underground, era homossexual e vivia um estilo de vida alternativo (o que infelizmente o levou à uma prematura morte por overdose aos 36 anos como o dândi do "novo cinema alemão"). Ele parecia escolher à dedo os lugares mais fundo de poço e caindo aos pedaços que conhecia para as locações de seus filmes, o que dava uma ambientação perfeita para suas estórias. Da mesma maneira que " O Ano com 13 luas ", esse é um filme que aborda temas áridos com muita sensibilidade e respeito. Sou um enorme admirador do seu cinema, e o considero como o maior diretor da new wave alemã (ao lado de Herzog)


Titulo original : Angst essen Seele auf
Diretor : Reiner Werner Fassbinder
Ano : 1974
País : Alemanha
Awards : Cannes




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terça-feira, 27 de outubro de 2009

Por dentro da Garganta Profunda



Nos anos 70 , e portanto bem antes da era das videocams, um filminho pornográfico era uma coisa mais parecida com cinema: era fotografado em película, tinha "enredo", cartaz, e eram projetados em salas de exibição, como os filmes "normais". Um destes filmes acabou atingindo um status de cult inesperado, servindo como pretexto para que se discutisse, na América conservadora e bundona dos anos Nixon, questões como a liberdade de expressão, e demais direitos civis. O filme acabou se tornando u manifesto, uma declaração de princípios. Foi o filme certo na hora certa, e acabou se tornando um fenômeno sem precedentes (custou 25 mil dólares e arrecadou 600 milhões mundo afora, um verdadeiro milagre para a indústria !).




Esse documentário foca muito bem esse momento, assim como dá uma pincelada no que era a industria pornô pré VHS e trata dos mitos que envolveram essa obra (e elenco) que viria a ser o filme independente mais assistido e cultuado na América, um verdadeiro ícone da cutura pop( no Brasil passou em salas poeira durante muitos anos). Outra curiosidade do filme: como a atriz Linda Lovelace terminou seus dias na terra. A narração é do outsider Dennis Hopper, e existem as ilustres presenças de Gore Vidal e do mestre John Waters. Para quem gostou de Boogie nights e se interessa por história cultural imperdível 


Titulo original : Inside deep throat
Diretor : Fenton Bailey, Randy Barbato
Ano : 2004
País : USA
Awards : AVN Award 


domingo, 25 de outubro de 2009

Blow up


Esse filme é antes de mais nada um retrato muito preciso e, quase historiográfico, do que foi a Swinging London e suas peculiaridades de estilo, musica, atitude, amor livre e drogas, que fizeram da cidade de Londres a "Florença" do final dos anos 60, e curiosamente feita pelo mestre italiano Michelangelo Antonioni, o que prova que o olhar de fora quase sempre é o mais apurado. O filme é um verdadeiro testemunho fílmico da coisa toda, capturando com grande sensibilidade o momento de uma maneira brilhante, moderna e dentro do próprio espírito da época, o que dá a obra inclusive um sensacional caráter datado que soma algo a mais ao filme.



Thomas é um fotógrafo requisitado e blasé, quase um proto yuppie, elegantemente entediado em sua persona britânica, que vive a glória de ser quem é, até que ao fotografar ao acaso um parque, acaba clicando involuntariamente um crime. Essa é a estrutura da história, mas o apelo forte do filme, sua verdadeira vocação, está mesmo no aspecto visual.



Como curiosidade estão os Yardbirds, numa gig da então Londres alternativa (e toda a fauna ali reunida), tendo na guitarra um sorridente, e quase garoto-prodígio Jimmy Page, já dominando com maestria o seu instrumento, e assistindo um temperamental Jeff Beck destruindo sua guitarra!
Um filme de grande valor histórico, artístico. Um documento da chamada era psicodélica, em forma e conteúdo.

Titulo original : Blow up !
Diretor : Michelangelo Antonioni
Ano : 1966
País : UK / Itália
Awards : Cannes (vencedor) / Globo de Ouro / BAFTA / National Society of Film Critics , entre outros 



sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O Homem Elefante




Um homem portador de uma terrível anormalidade física é explorado em um freak show da velha Inglaterra vitoriana. Compadecido e interessado por sua condição, um atencioso médico o resgata do buraco olivertwisteriano em que vive , e o acolhe num quarto do hospital em que trabalha. Ali, ele se revela não um monstro, mas um homem sensível e inteligente. Porém, as antigas pessoas que exploravam a criatura não querem perder o seu ganha-pão e passam a assediá-lo violentamente.




David Lynch, fez uma versão gótica, sombria e melancólica de uma bizarra história verídica, criando uma boa reflexão sobre a intolerância e a dignidade humana, num momento tão pretensamente civilizado como a era vitoriana. Foi o filme que levou Lynch aos olhos do grande publico, e talvez o seu melhor trabalho em cinema, precisão necessária para um homem que também escreve, pinta e faz música. Um verdadeiro artista protótipo da renascença.





Titulo original : The Elephant man
Diretor : David Lynch
Ano : 1980
País : UK / USA
Awards : BAFTA / Globo de Ouro / National Board of Review / Festival de cinema fantástico de Alvoriaz / French Academy of Cinema / Directors Guild of America / Academy of Motion Picture Arts and Sciences

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Amarelo Manga



Primeiro longa metragem do diretor Claudio Assis (de Baixio das bestas, já postado aqui). Considero esse filme um motivo de orgulho para o cinéfilo brasileiro, e sobretudo para toda a prolífica cena cultural pernambucana. Sem rodeios, diz o mote no cartaz do filme : " O ser humano é estômago e sexo ".  É armado dessa proposta que o diretor mostra a vida de um grupo de pessoas esquecidas, saídas do submundo, do gueto. Tipos desagradáveis, humanos "demasiadamente humanos", nos intestinos de uma Recife sem floreios ou algo que o valha (não há uma locação que te faça pensar na palavra balneário). Cada uma dessas almas perdidas não possui escrúpulos de satisfazer as suas mais baixas necessidades humanas, alheios mesmo aos mais elementares princípios da moral civilizatória.







Claudio de Assis é um diretor que parece saber onde está pisando. Achou o tom certo pra abordar a questão da miséria, nesse caso menos material do que moral. Mas o filme não possui de maneira alguma um discurso moralista. Pelo contrário, ele trata da potencia de existir, das necessidades pulsionais mais secretas de pessoas ordinárias, que precisam ver a luz do dia à qualquer custo, mas que se chocam contra uma pretensa moral vigente, que é talvez mais imoral do que as forças instintivas que quer combater. O contexto das imagens está absolutamente em sintonia com o das idéias de fundo (neste caso do grotesco, do repelente) deixando entre os dois um espaço para uma reflexão critica do espectador. Trata-se de um meio expressivo exclusivo do cinema, ofício que este realizador demonstra dominar muito bem. 





Titulo Original : Amarelo Manga
Diretor : Claudio Assis
Ano : 2003
Awards : Festival de Cinema Brasileiro de Miami / Festival Internacional de Berlin / Cine Ceará / Prêmio Minc para filmes de baixo orçamento

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Fanny & Alexander



Um menino vive em uma família burguesa e liberal , na Suécia do início do século XX , onde o clima de festa é sempre presente. A família é ligada à vida teatral e seus hábitos são bastante avançados para a época. Porém , com a repentina viuvez de sua mãe , o menino e sua irmã se vêem numa terrível situação:  ela se casa novamente com um pastor protestante ranheta e perverso , retrógrado e a própria definição de padrasto. Esse foi o ultimo (e monumental) filme dirigido pela eterna referência Ingmar Bergman, um realizador único e que reunia técnica, intelectualidade, e sensibilidade com maestria, e propunha, igualmente, todos estes elementos dentro de cada um de seus filmes.   




Mais do que um banal drama infantil, o filme, que é em parte auto-biográfico, vai fundo, como é costume no universo de Bergman, em questões existencialistas, de fé, de perda, culpa e arrependimento. Na medida que o filme progride, a narrativa vai se tornando menos vetorial e mais fluida, e o espectador se vê enfim em meio à uma construção metafísica, onde não se sabe mais o que é imanência ou transcendência. Bergman extrapola o universo diegético do filme e nos entrega uma alucinação onírica que precisa ser assistida para se compreender de fato a experiência (Cria Cuervos, de Carlos Saura, usa o mesmo recurso). Esta transição é de certa forma uma metáfora filmica da idéia que o "cinema", "irreal" por natureza (representado pela parte final, fluida, da narrativa) é uma continuação da própria vida do diretor, "real", (representada no filme pelo início tangível da narrativa). Enfim, Bergman o concebeu como filme testamento de sua carreira. 











Titulo original : Faanny och Alexander
Diretor : Ingmar Bergman
Ano : 1982
País : Suécia / França / Alemanha
Awards : BAFTA / National Board of Review / New York Film Critics Circle / Globo de Ouro / Los Angeles Film Critics Association / Directors Guild of America / Oscar

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Salaam Bombay




No começo desse ano assisti Slumdog Millionaire (Quem quer ser um Milionário ?), e fiquei de bobeira, um filmaço, que me pareceu bem original, e desmentia a falsa e cansativa imagem romanceada da Índia que é normalmente vendida para o ocidente, de um país pobre sim, mas cheio de "pureza, magia" e misticismo nas pessoas. O que eu descobri com Salaam Bombay é que 20 anos antes, a diretora indiana Mira Nair, filmou essa grande obra, uma espécie de filme precursor de Slumdog, e ainda melhor realizado, mostrando um mundo mal com pessoas más. Seria muito clichê chamar o filme de Pixote Indiano, mas não tem como não chamar, porque ele é exatamente isso: a vida de um grupo de meninos de rua na caótica e sórdida Bombaim (atual Mumbai), cujo protagonista se chama emblematicamente Krishna, um garoto abandonado pela família que se vira como vendedor ambulante de chá com leite (alguém se lembra de uma daquelas vinhetas mal assombradas da MTV, de um menino indiano dançando com um monte de copos e um pano de prato ? Descobri de onde veio).





O filme é um realista desfile de misérias, droguices e barbaridades, e envolve crianças, então é fácil pensar em um dramalhão, mas como Pixote, Salaam Bombay não é um melodrama. Como o filme de Hector Babenco, os atores são de fato meninos de rua, o que não é surpreendente porque Mira Nair começou como documentarista, fato que geralmente rende mais tarde bons diretores cujas "ficções" costumam documentar muito bem a realidade. É exatamente o caso aqui. Esse foi o primeiro longa de Mira, que de cara já faturou Cannes, e é um bom representante do prolífico cinema indiano, que também tem vida em abundância fora do delirante estilo Bollywood.



                     


Titulo original : Salaam Bombay !
Diretor : Mira Nair
Ano : 1988
País : India / UK
Awards : Cannes / Telluride Film Festival / Los Angeles Film Critics Association / Globo de Ouro / British Academy of Film , entre outros

sábado, 17 de outubro de 2009

Sid and Nancy




Sidney era um punk, marginal e químico, que vivia em estado de delírio permanente. Praticamente incapaz de saber/poder tocar seu contrabaixo, se juntou aos Sex Pistols, na época a grande sensação (trapaça ?) do rock britânico. fabricada na cara dura pelo empresário fanfarrão Malcom McLaren. Uma anti-banda, um enorme foda-se musical, mas que ainda assim (ou por causa disso) se tornou ultra influente em termos de som e atitude, e cujos ecos reverberam ainda hoje.





Quando Sid embarca numa relação amorosa com a groupier americana Nancy Spungen, igualmente sem-noção, as coisas ficaram realmente perigosas: um romance auto destrutivo de dois junkies em rota suicida. O filme foi dirigido por Alex Cox e contou com a presença impecável de Gary Oldman, que construiu um Sid Vicious psicopata, e dizem, bastante fidedigno, nesse trágico filme-tributo. Em geral, as pessoas envolvidas nos fatos narrados declarariam mais tarde que a porção do filme passada em New York é bastante fidedigna aos fatos, mas a porção londrina é bem fantasiosa. John Lyndon, por exemplo, o frontman dos Pistols, falou sem a menor cerimônia para Alex Cox, em plena première do filme: "Se eu tivesse uma arma agora te daria um tiro", no melhor estilo cockney marginal que gostava de fazer.




Como curiosidade está a presença de Courtney Love, interpretando o que ela mesma costumava ser antes de sua banda e casamento famosos: uma groupier retardada e sedenta por cocaína. Diz a lenda que para os textes do filme Love declarou ao diretor: "Eu sou Nancy Spungen !". Pelo que a vida real revelaria mais tarde sobre sua personalidade, ela parecia não estar brincando.


                            



Titulo Original : Sid and Nancy - Love Kills
Diretor : Alex Cox
Ano : 1986
País : UK
Awards : National Society of Film Critics / Festival de cinema de São Paulo  / NSFC Award / Boston Society of Film Critics Awards / Evening Standard British Film Award / BAFTA Film Award


sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Religulous




O carismático Bill Maher, escreveu o roteiro e também é o mestre de cerimônias deste controverso filme, em formato documentário cujo mote é averiguar o que há por trás, em pleno século 21, dessa curiosa invenção humana chamada religião. Com a sua astucia de entrevistador e dublê de ator, Maher (ele mesmo judeu de origem mas católico de criação) investiga os motivos da humanidade ainda precisar tão desesperadamente criar os seus deuses. Basicamente se valendo de fanáticos religiosos e de seus hábitos, como fio condutor, este "documentário" constrói seu discurso anti-religião de uma maneira divertida, pelo menos para quem não tem religião. Para conseguir as entrevistas, dizia com antecedência aos "líderes religiosos" (na maioria loucos por publicidade) que estava rodando um filme sobre uma "jornada de fé", para depois disparar suas perguntas que invariavelmente à constrangedoras saias-justas. Esse filme já é um clássico recente da iconoclastia. Dependendo do seu estatuto de fé vai amá-lo ou detestá-lo, mas não deixe de assistir. 


                                                  


Titulo original : Religulous
Diretor : Larry Charles
Ano : 2008
País : USA
Awards : London Film Festival  / Toronto International Film Festival

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Um ano com 13 Luas



Essa é uma verdadeira preciosidade do cinema alemão, e trata de um tema no mínimo pouco comum : a auto mutilação genital . Elvira é uma mulher, que costumava ser um homem chamado Erwin, casado e com uma linda filha, e que trabalhava como um másculo abatedor em um matadouro , até que se apaixonou perdidamente por um colega de trabalho, e num impulso inexplicável de agradar seu amado , tomou um avião para Casablanca , no Marrocos , e se submeteu à uma cirurgia de mudança de sexo. Entretanto Elvira não contava com a difícil adaptação social e psicológica para sua nova condição. 


                            



Fassbinder (morto de overdose em 1982) era um cineasta muito interessante. Se hoje em dia estudos de gênero (gender studies) são o assunto do momento no meio das ciências humanas, há 40 anos atrás ainda não era bem assim. Foi nessa época que ele construiu uma sólida filmografia que se baseia quase que inteiramente numa reflexão em torno dos papéis sociais do homem, da mulher, e dos gays, sendo ele próprio um homossexual militante (embora tenha tido dois casamentos longos com mulheres). Ele também atuava em boa parte de suas produções. Fazia parte do movimento do cinema novo alemão, surgido em meado dos anos 60 e que vinha na esteira da nouvelle vague francesa, com a qual guardava estreitos laços ideológicos: filmes de autor, pessoais e independentes, feitos com pequenos orçamentos, que insistiam em se destacar de um cinema de puro divertimento através de seus temas e feições estéticas. Desta leva fizeram parte também Werner Herzog, Wolfgan Petersen e Wim Wenders, apenas para citar os nomes de diretores com os quais estou mais familiarizado. Foi um novo período de ouro para o cinema alemão, que não possuia uma "cena" desde o pré guerra. O cinema novo alemão duraria até o os primeiros anos da década de 80, e nos deixou muitos filmes inesquecíveis, e este aqui é um deles.




Em termos de forma Fassbinder fez deste filme um dos mais destacados de sua filmografia. Um verdadeiro deleite de cuidados e ambiências, a cada plano. A sequencia do matadouro, com seu monólogo, montagem alternada, e horror visual resultaria em algo antológico. É o tipo de experiência estética que apenas o cinema pode proporcionar



                       


Titulo original : In Einem Jahr Mit 13 Monden
Diretor : Rainer Werner Fassbinder
Ano : 1978
País : Alemanha
Awards : Nenhum


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

24 hours party people



Grande filme, no formato falso-documentário, sobre o surgimento, ascenção e queda da chamada "cena de Manchester", e seus breves anos como referência de musica, comportamento e drogas, para o resto da Inglaterra e do mundo. A história é contada do ponto de vista do empresário Tony Wilson (morto em 2007) - patrono da cena, a partir do momento em que teve uma epifania num show dos Sex Pistols . Os fatos mostrados vão desde o crepúsculo do punk, passa pela fundação do mítico selo Factory (que lançou Joy Division, New Order e Happy Mondays) e cujos contratos eram escritos com o sangue do próprio Wilson, e vai até o advento do lendário clube Hacienda e o advento da cena eletronica rave e seus paraísos artificiais de ecstasy.




Um filme espetacular. Vale a pena assistir numa sessão dupla com o Control (já postado aqui), porque os dois filmes se complementam.







Titulo original : 24 Hour Party People
Diretor : Michael Winterbottom
Ano : 2002
País : UK
Awards : British Independent Film Awards / Cannes / Chlotrudis Award / Emden Film Award / Empire Award / London Critics Circle Film Awards / Political Film Society, USA / Golden Satellite Award , entre outros

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Nós que nos amávamos tanto




Belo filme de Ettori Scola que conta a estória de 3 amigos no decorrer de 30 anos, tendo como fundo a conturbada história italiana, à partir do final da segunda guerra, onde os três lutaram na resistência, até meados dos anos 70, quando o filme foi feito. Nesse meio tempo as suas vidas tomam rumos diferentes, mas acabam por se cruzarem eventualmente. O resultado foi um dos filmes mais influentes deste grande diretor, verdadeiro patrimônio do cinema, um dos mais prolíficos do cinema italiano, ainda em atividade.






O filme traça um bom panorama sobre o movimentado ressurgimento social, político e econômico da italia do pós guerra. É também uma comovente homenagem do diretor ao cinema em geral, através de cenas de grandes clássicos, mas em particular ao cinema italiano e seus mestres (com a participação real - e casual - de Fellini , Marcello mastroianni , Nello Meniconni , como eles mesmos) . É uma visão romântica sobre amizade , lealdade , amores , sob um olhar lírico à moda italiana. 


 



Titulo original : C'eravamo tanto amati
Ano : 1974
Diretor : Ettori Scola
País : Itália
Awards : Italian National Syndicate of Film Journalists / Moscow International Film Festival / César Awards

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Tatie Danielle



Tia Danielle é uma velha cínica, amarga e mesquinha, que não se ocupa de nada mais na vida além de ser malvada e cruel com todos, exceto com seu cachorro vigilante. Porém, preserva sempre uma aparência doce e amável, enganando a todos quanto às suas reais intenções. Quando sua criada morre "por acidente", vai viver com um sobrinho em Paris. O que a velha não contava é que iria se deparar com uma concorrente à sua altura.





O filme é uma ótima comédia dark francesa, que trata da questão da velhice , da relação da família com o idoso , e de como as pessoas tem o automatismo de enxergar um idoso sempre com ternura e compaixão, por vezes esquecendo que a velhice por si só não traz junto caráter ou virtude para ninguém. Gostei bastante desse filme, e a velha é o Diabo, daquelas que todo mundo se depara pelo menos uma vez na vida. Boa chance de se observar o cinema francês na década de 80.

Titulo original : Tatie danielle
Ano : 1990
Diretor :  Etienne Chatiliez
País : França
Awars : César Awards (França)

domingo, 11 de outubro de 2009

O nome da rosa




Uma série de bizarros assassinatos ocorrem num insuspeito convento medieval de freis copistas , causando a vinda de do monge Franciscano inglês, Williams of Baskerville. Junto com seu noviço, ele é convocado para tentar elucidar o caso, antes da chegada do temido tribunal da inquisição. Porém , mesmo com a sua presença, novos assassinatos continuam a ocorrer , e enquanto satã leva a culpa, o frade corre contra o tempo para encontrar o real assassino. O filme é adaptado do romance do escritor italiano Umberto Eco, que foi o grande best-seller da época, uma espécie de Código da Vinci, mas com um cérebro. Umberto Eco é um especialista em semiótica, e não um romancista, mas logo no primeiro livro atingiu um sucesso enorme, se tornando um nome conhecido da cultura popular.  







Se valendo de símbolos e de um bom conhecimento da mentalidade medieval, sobretudo do excesso de zelo religioso, Eco captou mesmo o interesse do grande público para seu livro através de um frei que emula Sherlock Holmes, personagem que já habitava o imaginário coletivo há anos, com direito inclusive à um assistente "tipo" Watson, no caso seu noviço.  Mesmo o nome do personagem faz referência à um dos livros de mistério do detetive Holmes, escrito por Sir Arthur Conan Doyle. Umberto Eco é aliás um forte defensor literário da estética do pós modernismo: um livro que conta uma história já contada por um outro livro, agora desconstruída e re estruturada. A direção do filme ficou por conta de Jean Jacques Annaud, que na época vinha do sucesso inesperado de A guerra do fogo.  



                                                               




Titulo Original : Der name der rose
Diretor : Jean-Jacques Annaud
Ano : 1986
País : França / Italia / Alemanha
Awards : British Academy of Film and Television Arts / French Academy of Cinema

sábado, 10 de outubro de 2009

O magnifico



Ultra simpático filme francês, estilo sátira de filmes de James Bond e filmes baratos de espionagem. Jean Paul Belmondo é François , um escritor de segunda linha , autor de livros populares vendidos em bancas de jornal. O personagem de seus livros (e também seu alter ego) é uma paródia de 007 , Francês e caricatural , mas que sempre se dá bem em tudo , sobretudo com as mulheres. Mesmo tendo seu livro amado pelo povão , François vive apertado e mal pode pagar as contas , mora em um muquifo , e é um fracassado completo. Para extravasar as frustrações , François vai escrevendo suas histórias de acordo com as coisas que lhe acontecem no dia a dia , transformndo suas frustrações em ficção e geralmente se vingando de seus desafetos com um banho de sangue. Por isso metade do filme se passa na sua imaginação apenas.






Tudo muda quando conhece uma bela vizinha que estuda sociologia (Jacqueline Bisset, no auge) , que vê nos seus livros um bom assunto para o trabalho de conclusão do curso. Assisti esse filme quando era bem pequeno , com o meu pai , e tentei durante muito tempo encontrar referências dele . Me lembrava claramente da cena do cérebro no prato (a melhor) e do argumento geral. É um filme dos Trapalhões, , mas de luxo. O filme traz o grande Belmondo, no auge da sua forma física (ele foi também lutador de boxe), e que aqui repetia a parceria com o diretor Philippe de Broca, com quem trabalhou anos antes no ótimo O Homem do Rio. de Broca foi um dos poucos diretores franceses de sua geração a se dedicar sobretudo ao cinema de puro espetáculo, geralmente comédias e aventuras descabidas. Isso se explica pelo fato de ter servido como cinegrafista na guerra franco-argelina, e após testemunhar tamanha barbárie, jurou que seus filmes futuros iriam representar um mundo mais distante da barbárie humana quanto possível.




                   


Titulo Original : Le Magnifique
Diretor : Philippe de Broca
Ano : 1973
País : França / Itália
Awards : Nenhum

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Santa Sangre







Esse é mais um delírio alucinatório do interessante (e agora icônico) diretor chileno Alejandro Jodorowsky (do clássico alternativo El Topo), cujos trabalhos resultam habitualmente em filmes infames e cheios de estranhezas, que são a marca registrada deste peculiar diretor. Basicamente, a trama central do filme se foca em uma família de circenses, horrivelmente destruída após a descoberta de uma traição conjugal, e no trauma profundo que isso cria no filho único do casal, Fênix, que acaba vivendo como um animal num manicômio. Porém, Fênix escapa do hospício, e guiado pela sua mãe, começa um processo bizarro de cura dos seus traumas de infância. 



                  



Ligeiramente caótico como tudo mais que Jodorovsky fez, trata-se de um filme cheio de metáforas, imagens perturbadoras, e elementos psicanalíticos, que são marcas comuns do cinema de seu cinema. Mais uma vez, ele desconhece convenções, e, talvez pela necessidade de chocar com estilo, desfila na tela várias figuras dignas de um freak show: anões, deficientes físicos, e até um grupo de adolescentes com síndrome de down (que cheiram cocaína e a seguir dançam por entre travestis ! Sim, ele teve peito para bancar isso). Um filme ultra bizarro.

 

     
                        
 
                           
Titulo original :  Santa sangre
Diretor : Alejandro Jodorowsky
Ano : 1989
País : Itália / México
Awards : Academy of Science Fiction , Fantasy and Horror Films (Vencedor)

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

If ..




Extraordinário filme que mostra o cotidiano de um colégio privado britânico, exclusivo para garotos, e sua estrutura anglicana , rígida e esnobe , que nada fazia além de reforçar ainda mais um decadente sistema de classes , representando de certo modo uma extenção da sociedade Britânica como um todo. Mas nos anos finais da década de 60 esse sistema estava entrando em colapso , e a velha Inglaterra nunca mais seria a mesma . Não que toda a fleuma dos Brit tenha acabado , mas este precioso filme é um sinal emitido pelo diretor Lindsay Anderson , uma espécie de líbelo , rude e anarquico , usando uma instituição de ensino como uma metáfora do anacronismo das instituições em relação ao que estava acontecendo no mundo real.






Lindsay Anderson foi basicamente um documentarista, que dirigiu algumas ficções, e tem sua imagem associada ao movimento inglês do free cinema, uma série de filmes independentes, feitos com captação de recursos próprias, cuja estética remete ao movimento do cinema objetivo, e em ultima análise ao Kino-pravda russo. Em resumo, documentários ultra realistas feitos de maneira quase ascética. Mais tarde cristalizou-se com o movimento da British new wave, espécie de resposta britânica à nouvelle vague francesa, que incluia nomes como Nicolas Roeg, Ken Loach, Richard Lester, e um dos prediletos daqui da casa: Ken Russel.






Pra mim esse é um dos grandes filme para se entender melhor aquela idiossincrática ilha do Norte . É uma espécie de canção do Pulp em forma de longa metragem. Foi também através desse filme que Kubrick descobriu Malcom McDowell , e  o escalaria como o sociopata Alex de Laranja mecânica. Não por acaso , podería-se dizer que os dois personagens são gêmeos , separados na maternidade . Um filme controverso ,  surpreendente e perturbador.








Titulo Original : If ...
Diretor : Lindsay Anderson
Ano : 1968
País : UK
Awards : Cannes / Golden Globe

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O Diário de um Padre

                                     


Esse bom filme francês mostra a degradação física e psicológica de um recém ordenado padre, devoto e sincero, em uma pequena vila Francesa nos anos do pós guerra, onde é recebido com hostilidade, passando a viver num isolamento relativo. O pobre vigário vai literalmente definhando filme adentro enquanto se frustra repetidamente ao perceber que seus sacrifícios e orações não são correspondidos à altura por aquele ao qual os direciona.





Um ótimo filme, bastante cultuado , uma versão mais antiga de "Sob o sol de Satã". Não por acaso ambos os filmes são baseados em livros escrito pelo mesmo autor, Georges Bernanos (sobre Bernanos escrevi algumas linhas na postagem de Sob o sol de Satã, e penso que vale à pena conhecer algo sobre a biografia deste autor antes de assistir um filme baseado numa obra sua). Já Robert Bresson merece bem mais do que algumas linhas. É frequentemente considerado como um dos patronos do cinema francês moderno, ao lado de Jean Renoir. Bresson, que ra também um teórico do cinema, passou para a história como um diretor econômico, minimalista, cujo ascetismo salta aos olhos. Sujeito de origens católicas e tradicionalistas, comumente abordava temas ligados à religião, moralidade, culpa, redenção e salvação. Gostava de atores amadores (que chamava de modelos) e desconhecidos, e com os profissionais repetia as cenas à exaustão, até limar toda "atuação", em prol da naturalidade. Para ele a expressão do ator não é obra do mesmo, mas sim da montagem dos planos feita pelo realizador.


Exceto pela questão religiosa e apolítica, é considerado um dos precursores da nouvelle vague, que absorveu muito de sua maneira frugal de filmar. Ganhou o apelido de "jansenista", numa alusão à doutrina católica que prega o rigor moral. Dirigiu apenas 13 filmes em sua longa carreira, que possui uma coerência impressionante, deixando pelo menos uma obra prima "A grande testemunha".



                       


Título original : Journal d'un curé de campagne
Diretor : Robert Bresson
Ano : 1951
País : França
Awards : Prix Louis-Delluc / National Board of Review / Toronto International Film Festival / Festval de Veneza

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Veludo azul




Ao retornar de uma visita hospitalar , Jeffrey, um inofensivo funcionário de uma loja de ferragens , encontra uma orelha decepada em um terreno baldio , que entrega à policia. Esse fato termina por ligá-lo à Dorothy , uma bela cantora de clube noturno , que o apresenta ao mundo novo do sadomasoquismo. Entretanto ela também está ligada a Frank , um sociopata demente e viciado em éter , que se liga em coisas mais estranhas , e  as coisas se complicam para Jeffrey. 






David Lynch fez de Veludo azul um bom thriller, com alguns toques de perversões e violência que a classe média americana não estava acostumada a assistir em filmes , e acabou se transformando em uma referência de filme cult dos anos 80. Ele nos mostra uma trama em que, por trás de um aparente paraíso verdejante da era Reagan, está escondida uma realidade pura, obscura e perturbadora. É basicamente um filme que segue a estrutura de um filme noir clássico, ou seja, encena a metáfora edipiana do "filho" (Jeffrey), da "mãe" (a femme fatale Dorothy) e do "pai castrador" ( Frank).   Após o sucesso comercial do filme, temas mais violentos e sexuais passaram a ocorrer com mais frequência em filmes mainstream, o que aumentou a sua mítica. 

Uma conexão interessante deste filme é a presença da linda Isabella Rossellini, companheira de Lynch na época, que ao interpretar Dorothy, executou seu primeiro papel de peso, e que lhe rendeu reconhecimento como atriz. Isabella até então era mais conhecida como top-model, e por seu pedigrée: filha do diretor italiano Roberto Rossellini e de Ingrid Bergman, sendo nada menos do que neta do mitico Ingmar Bergman. Depois disso não parou de ganhar bons papéis, como por exemplo, a bruxa de "A morte lhe cai bem", que brinca com o ideal de beleza eterna, remetendo à sua carreira de top model, e com o existencialismo,remetendo ao tema predileto de seu avô.


Embora eu não considere este o seu melhor trabalho, Lynch é um nome que sempre merece respeito e atenção. Além de ter uma marca própria em seus filmes, (geralmente oníricos, surreais, sombrios), ele também pinta, escreve, compõe, é designer, ou seja, é um homem da renascença.



                 

                                         


Titulo original : Blue Velvet
Diretor : David Lynch
Ano : 1986
País : USA
Awards : Independent Spirit Awards / Globo de Ouro / Los Angeles Film Critics Association / Montréal World Film Festival / Telluride Film Festival , entre outros

Burden of dreams






Quando se assiste Fitzcarraldo , à parte todo seu valor artístico, é difícil nao se impressionar com o tamanho do filme, e do esforço monumental necessário à sua realização. Felizmente o diretor Les Blank realizou este documentário , que vai muito além de um mero making of ,  porque ele mesmo funciona como uma obra de vida própria que vai muito além do que apenas apresentar os conturbados bastidores da produção de Fitzcaraldo. Para quem ama cinema é imperdível , mesmo que não esteja familiarizado com o filme . O que seria apenas um making of vai tomando forma de um filme que passeia por muitos outros contextos , como por exemplo a pessoa do grande diretor Werner Herzog , que sempre esteve fora da grande mídia , e se revela um verdadeiro cavalheiro , que mesmo ao meio do mais completo caos enfrentado pela produção, é incapaz de elevar o seu tom de voz. Além disso fica evidente no decorrer da produção , sua crescente frustração, e a maneira quase poética como a declara: "Esse mundo (a floresta) é um mundo que Deus - se é que ele existe - criou com ódio". Lindo. (ver video no final).






Para quem admira documentários: o diretor Les Blank é um documentarista com vasta experiência, e que pratica o estilo cinema vérité, ou cinema observacional. Cinema direto, sem narrador, que tensiona representar a verdade objetivamente , da  maneira mais próxima possível de como ela é vista através da câmera. O realizador apenas catalisa a interação publico-fatos, sem tomar partido de nada. Ele é invisível, a câmera é invisível. Não é o tipo de documentário que resulta numa pseudo-construção da realidade, como outros diretores preferem fazer (e que também pode resultar em algo interessante). O cinema observacional é um cinema antropológico e social. Como diversas outras contribuições à linguagem cinematográfica, o cinema observacional tem origem soviética. Foi na união soviética que o pioneiro Dziga Vertov "criou" o estilo Kino-Pravda, isto é, cinema-verdade. 

Como curiosidade , o documentário nos revela que o filme chegou a estar 40 % pronto , com outro elenco , inclusive o inglês mais brasileiro da história : Mick Jagger (que pelas cenas mostradas , renderia seu melhor papel de cinema). Porém por incompatibilidade da agenda pessoal e o atraso do filme, precisou abandonar o projeto, e a produção precisou ser refeita do zero . Um documentário impressionande , sobre um filme super impressionante , sobre um cineasta obstinado, metido dentro de um inferno verde, nas entranhas da amazônia ("Os pássaros aqui não cantam, eles gritam de dor"), e cuja vontade de fazer um filme desse porte, absolutamente fora do esquema de Hollywood , é apenas comparável à obsessão do personagem da estória que estava contando. No final é exatamente esta a impressão: Fitzcaraldo é Werner Herzog.



                          


Titulo Original : Burden of dreams
Diretor : Les Blank
Ano : 1982
País : USA
Awards : Telluride Film Festival

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