quinta-feira, 1 de outubro de 2009

As Aventuras do Barão Munchausen






No século 18, o sultão Turco chega com seu poderoso exército às portas de uma cidade européia  (Viena ?!) trazendo terror e destruição. Mas mesmo assim o show tem que continuar, e uma compania de teatro local insiste em apresentar sua encenação dos contos do lendário Barão de Munchausen, um mentiroso compulsivo mas encantador. Porém, no meio da apresentação, surge o próprio Barão, que interrompe a peça, e passa ele mesmo a dar a sua versão dos fatos, que se misturam à fantasia deliberadamente .




Esse filme é mais um dos delírios cinematográficos do grande diretor Terry Gilliam, pelo qual eu tenho a maior admiração e respeito. É um filme muito rico visualmente, monumental, cheio de referências à história da arte, como a espetacular sequência do nascimento da Vênus, linda homenagem ao célebre quadro de Botticelli (spot abaixo) , é minha predileta. Cada vez que se assiste esse filme descortina-se algo novo. Terry Gillian sabe subverter a linguagem clássica do cinema ao mesmo tempo que a respeita profundamente. 





O Barão de Munchhausen existiu de fato. Trata-se de um nobre alemão do século 18 que engajou-se no exército russo e lutou contra os Otomanos. No retorno de suas campanhas diz-se que o Barão, talvez um pouco perturbado, contava histórias absurdas de suas façanhas, que ultrapassavam o limite do ridículo. Logo começou a construção de um personagem em torno do barão. Anos mais tarde começaram a surgir livros que relatavam estas histórias, e as aumentavam, e adicionavam tantas outras. Foi um estrondoso sucesso editorial. Formou-se assim em torno de sua história, um personagem de ficção, popular na literatura infantil, que é sinônimo de mentiroso compulsivo, excêntrico e exagerador. Ele passou a fazer parte da cultura pop ocidental. Existe até mesmo uma triste condição médica chamada de Síndrome de Munchausen, um tipo de paciente que fantasia e cria doenças para si, passando a vida procurando médicos que nele acreditem e tratem suas doenças imaginárias. 

O pioneiro do cinema George Méliès foi o primeiro a trazer o personagem para o universo cinematográfico, no início do século 20, em "As alucinações do Barão", (que tive a sorte de conseguir assistir). Muitas versões surgiram posteriormente, até que o iluminado Terry Gillian realisou talvez a versão mais célebre. E Terry Gilliam é um diretor especial. Egresso do fundamental grupo de humor anárquico britânico Monty Python, onde era o unico americano, "problema" que resolveu porteriormente renunciando formalmente à sua nacionalidade. Cartunista e animador, esteve por trás dos sucessos cinematográficos da trupe, como "A vida de Brian" e "O sentido da vida". Após o final do Monty Python seguiu uma sólida carreira de cineasta, explorando geralmente temas fantásticos, mágicos ou surreais. Seus personagens são habitualmente pouco usuais, sombrios ou loucos. O resultado por vezes parece uma alucinação filmada. 



                             



Titulo Original : The Adventures of Baron Munchausen
Diretor : Terry Gilliam
Ano : 1989
País : UK / Alemanha
Awards : Saturn Award Fantasy and Horror Films /  BAFTA Film Award (vencedor) / Hugo Awards / Italian National Syndicate of Film Journalists / Oscar (indicação)

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