quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Fanny & Alexander



Um menino vive em uma família burguesa e liberal , na Suécia do início do século XX , onde o clima de festa é sempre presente. A família é ligada à vida teatral e seus hábitos são bastante avançados para a época. Porém , com a repentina viuvez de sua mãe , o menino e sua irmã se vêem numa terrível situação:  ela se casa novamente com um pastor protestante ranheta e perverso , retrógrado e a própria definição de padrasto. Esse foi o ultimo (e monumental) filme dirigido pela eterna referência Ingmar Bergman, um realizador único e que reunia técnica, intelectualidade, e sensibilidade com maestria, e propunha, igualmente, todos estes elementos dentro de cada um de seus filmes.   




Mais do que um banal drama infantil, o filme, que é em parte auto-biográfico, vai fundo, como é costume no universo de Bergman, em questões existencialistas, de fé, de perda, culpa e arrependimento. Na medida que o filme progride, a narrativa vai se tornando menos vetorial e mais fluida, e o espectador se vê enfim em meio à uma construção metafísica, onde não se sabe mais o que é imanência ou transcendência. Bergman extrapola o universo diegético do filme e nos entrega uma alucinação onírica que precisa ser assistida para se compreender de fato a experiência (Cria Cuervos, de Carlos Saura, usa o mesmo recurso). Esta transição é de certa forma uma metáfora filmica da idéia que o "cinema", "irreal" por natureza (representado pela parte final, fluida, da narrativa) é uma continuação da própria vida do diretor, "real", (representada no filme pelo início tangível da narrativa). Enfim, Bergman o concebeu como filme testamento de sua carreira. 











Titulo original : Faanny och Alexander
Diretor : Ingmar Bergman
Ano : 1982
País : Suécia / França / Alemanha
Awards : BAFTA / National Board of Review / New York Film Critics Circle / Globo de Ouro / Los Angeles Film Critics Association / Directors Guild of America / Oscar

2 comentários:

  1. Lord Vader,
    Quero agradecer a você, por trazer este filme à luz.
    É o filme testamento de Bergman e o último que fez para o cinema.
    Mostra o seu fascínio pessoal pelo cinema e nos leva junto nesta viagem.
    Bergman é o mestre da emoção no cinema, jamais alguém soube transmitir emoções como ele.
    Quem gosta de cinema, deve baixar e ver muitas vezes esta obra-prima.
    Abs!

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  2. Po Armando , realmente esse filme é de tirar o folego , apaixonante , desde elenco ate cores , tudo enfim , um capricho do mestre . Espero que mais pessoas descubram essa obra de arte . E concordo com vc , o filme é obrigatório ! Valeu ..
    Abs !

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