domingo, 29 de novembro de 2009

Picnic na montanha misteriosa


Na selvagem Australia , no final do século 19 , um colégio britânico para meninas ensina as rígidas maneiras vitorianas para suas alunas bem nascidas na então colônia inglesa do sul. No dia de São Valentino , um passeio até um medonho e sinistro monte , Hanging rock , termina tragicamente com o desaparecimento de quatro alunas que se aventuram entre os rochedos .




Esse é um filme muito intrigante e cheio de aspectos a serem explorados , porque dá o seu recado nas entrelinhas : a sexualidade reprimida das adolescentes , a imposição do ideal europeu sob um território bizarro e quase alienígena , e obviamente o mistério em si , tanto da natureza humana , quanto do inexplicável .



O filme corre num tom poético , quase etéreo , e aos poucos vai criando uma atmosfera sufocante , de pavor implícito e psicológico , sob uma torturante trilha sonora .. Um filme ambíguo e assustador , esteticamente primoroso.



Titulo original : Picnic at Hanging Rock
Ano : 1975
Diretor : Peter Weir
País : Australia
Awards : Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films, USA / BAFTA Film Award UK / British Society of Cinematographers


sábado, 28 de novembro de 2009

Stroszek


Bruno , um adorável e inofensivo idiota , passou a vida saindo e entrando de instituições mentais por conta de sua peculiar condição. Ao ser libertado mais ultima vez se encontra sem rumo , e meio por acaso se junta a Eva , uma prostituta que por sua vez é ligada à um violento cafetão do submundo de Berlim , que passa à intimidá-los repetidamente. Sem terem uma solução em vista os dois migram para um fim de mundo no Wiscosin  , na companhia de uma terceira alma perdida : um vizinho senil e esclerosado.



Werner Herzog é um grande diretor , o cara que tem uma grande sensibilidade para contar estórias de desajustados , com muita naturalidade . Representa uma geração brilhante do cinema alemão (junto com o Fassbinder) que sempre dirige bons filmes , sem nenhuma pretensão de euroarte , direto e honesto e ainda assim vanguardista.



Esse filme realmente é um primor , Bruno é uma espécie de Kasper Hauser contemporâneo , ingênuo e digno de compaixão. Uma curiosidade : Ian Curtis se suicidou após assistir esse filme (nota-se a cena da galinha dançante no monitor de TV na sequência retratada em  24 hours party people - já postado aqui no blog) - Mas não por causa do filme. Stroszek é um filme admirável e tocante.






Titulo original : Stroszek
Ano : 1977
Diretor : Werner Herzog
País : Alemanha
Awards : German Film Critics Award (Melhor filme)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Cada um vive como quer



Bobby é um sujeito culto e brilhante, exímio pianista, porém atormentado, e que age dentro das suas próprias leis. Na medida em que busca a todo custo preencher o seu enorme vazio existencial, se afasta de sua família aristocrática e pretenciosa para abraçar uma medíocre vida de trabalhador braçal, na companhia de seus amigos igualmente repelentes. Quando recebe a noticia de que seu velho pai está com o pé na cova precisa voltar às pressas ao seu antigo lar, mas acompanhado de sua namorada caipira as coisas não correm lá muito bem.



Esse é uma obra brilhante, muito envolvente, e sem duvida um dos grandes exemplares do bom cinema setentista americano (a new wave americana). Um profundo estudo da personalidade de um homem torturado, egocêntrico e sem amor (Jack Nicholson, durante seus anos outsider num de seus melhores papéis).




Durante os anos 70  uma geração de diretores (Altman, Allen, Scorsese, por exemplo)  produziu obras de caráter mais pessoal e de grande valor artístico, afastadas do modelo classico moldado pelos estúdios, uma espécie de new wave à moda americana, também chamada de new hollywood. Durante esta leva, muitos filmes excelentes foram feitos, por vezes baseados na incerteza, desconforto e inresolução, como é o caso de "five easy pieces". O diretor Bob Rafelson (o cara que inventou os Monkees) dirigiu com segurança e sensibilidade esse filme totalmente emblemático e sem dúvida obrigatório para quem ama cinema e deseja estudar a new wave americana.





Titulo original : Five easy pieces
Ano : 1970
Diretor : Bob Rafelson
País : USA
Awards : National Film Registry / New York Film Critics Circle Awards / Globo de Ouro / Oscar / National Board of Review, USA / Writers Guild of America, USA / National Film Preservation Board, USA / National Society of Film Critics Awards, USA / Kansas City Film Critics Circle Awards / Laurel Awards / Fotogramas de Plata / Directors Guild of America, USA / Telluride Film Festival

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Trens estreitamente vigiados


Milos é um tímido estágiário numa estação ferroviária do interior da Tchecoeslováquia durante a II guerra , quando o país se achava sob o controle da alemanha Nazi . Porém Milos não está muito preocupado com sua nova função , mas sim em se iniciar com sucesso na vida sexual , e se tornar um homem como os seus colegas , mas para isso ele precisa superar os seus medos.


Apesar do cenário belicoso , o filme é uma comédia de costumes , uma quase chanchada elegante a seu modo , uma  análise quase ingênua dos hábitos sexuais desse (então) país do leste europeu , que de fato tem um certa fama de permissividade (hoje as melhores atrizes do hard são do leste europeu) .


Esse filme foi feito nos anos do rígido regime comunista no país , o que não deixa de impressionar , já que é bastante ousado nas sequências de sexo , embora agrade a ideologia do regime quanto a ridicularizar abertamente os Nazi .


Um pouco depois do filme ser lançado (mas não por causa dele) Praga seria ocupada por tanques russos , porque o espírito de liberdade por lá já estava ficando forte demais e precisava ser contido segundo a estreita visão de Moscow e relação aos países de sua orbita , liberdade essa que pode se perceber pelo tom dessa obra . Mas o diretor Jirí Menzel não parecia estar muito preocupado com nenhuma ideologia , mas sim em fazer esse belo filme focado mesmo no aspecto humano.





Titulo original : Ostre sledované vlaky
Diretor : Jirí Menzel
Ano : 1967
País : Tchecoeslováquia
Awards : Mannheim-Heidelberg International Film festival / Globo de Ouro / Oscar (melhor filme estrangeiro) / BAFTA Film Award / Directors Guild of America, USA

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Polyester


Tudo o que Francine queria era viver uma romântica vida de dona de casa num lar perfeito dos verdejantes subúrbios de Baltimore, porém isso não é possível porque o seu marido é um traste, dono de cinema porno e ainda por cima prestes a largá-la por uma interesseira. Sua filha é uma ninfomaníaca que espera ansiosa pelo seu primeiro aborto, e o seu filho um tarado cheirador de cola que tem um fetiche por pés femininos. Enquanto isso Francine vive entre o sonho e a dor, tendo como um único ombro amigo sua demente e banguela amiga Cuddles, que pensa ser uma debutante.



O genial diretor John Waters novamente atropela sem dó o sonho americano nessa obra ultrajante, com a sua tradicional pegada camp e um gosto finamente apurado pelo barato, pelo vulgar e pelo grosseiro. O cara é uma instituição, o homem que faz os épicos do underground, e embora ele tenha pegado muito mais leve nesse filme, ainda está anos luz acima do padrão paladar classe média. Um filme fundamental, assim como toda a filmografia de Waters, o mestre.


Titulo original : Polyester
Ano : 1981
Diretor : John Waters
País : USA
Awards : Telluride Film Festival 


O Barato de Grace


Esse simpático filme conta a estória de Grace , uma distinta e insuspeita senhora de classe média de uma minúscula vila costeira na Inglaterra , cujas maiores preocupações são a jardinagem e pequenos compromissos sociais , isso até o dia que fica viúva repentinamente , e entre outras coisas descobre que seu marido lhe deixou em sérios apuros financeiros , inclusive com o risco de perder a sua bela propriedade. Desesperada e sem ver uma solução , decide seguir o conselho de Matthew , seu jardineiro doidão : Plantar bagulho !


Rapidamente as mudinhas viram pés enormes , e também a atração da cidade , mas na hora de botar o produto no mercado a coisa se complica .. 
Boa e despretensiosa comédia que corre fácil , cheia de boas situações (e intenções) , permissiva e no tom certo , que é pra todo mundo ficar feliz .. Detalhe , o título que o filme ganhou em espanhol é lindo : O Jardim da Alegria. Tudo a ver ! 


Titulo original : Saving Grace
Ano : 2000
Diretor : Nigel Cole
País : UK
Awards : Festival de Sundance / Globo de Ouro / BAFTA UK 
...


terça-feira, 24 de novembro de 2009

La Jetée




Esse curta metragem de 30 minutos , unico e experimental , todo narrado em still , uma espécie de foto montagem (segundo o próprio diretor uma "fotonovela"), feito num tempo em que , por exemplo , ser cabeludo era um escândalo, é tão moderno que está a muitos anos luz de distância do seu tempo. Num futuro pós apocaliptico , cientistas enviam um homem ao passado na tentativa de salvar a humanidade da falta de recursos materiais, porém o homem acaba se apaixonando por uma bela mulher e sua viagem se transforma numa jornada intima e existencial.





Um ótimo filme, uma visão psicótica da guerra fria, e um trabalho de grande importância histórica. Esse filme é também um interessante paradoxo que diz respeito à própria teoria do cinema, uma vez que, para realizá-lo, Marker transgrediu a própria definição do que é cinema, ou pelo menos do que é o principio poético do cinema: uma imagem em movimento. Marker retrocede à escala do fotograma, da fotografia, para montar os seus planos. Esse filme-conceito na verdade não pode ser considerado como um filme ("Kino"), porém é muito mais filme do que muita coisa que mostra 24 quadros por segundos e pode reivindicar o status de "filme". É um trabalho muito interessante, com um roteiro fantástico e um final de arrepiar. (Esse filme é nada menos do que a trama que Terry Gilliam refez em os 12 macacos.)





Titulo original : La Jetée
Ano : 1962
Diretor : Chris Marker
País : França
Award : Prêmio Jean Vigo


segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Ensina-me a viver


Harold é um jovem milionário e profundamente perturbado: seu carro é um carro funerário de segunda mão , ele simula o suicídio várias vezes por semana das maneiras mais horríveis e passa os dias frequentando velórios e enterros , para o completo desespero de sua afetada mãe. Um dia ele conhece Maude , uma mulher de 80 anos que também não regula muito bem , porém , ao contrário de Harold , é completamente fanática pela vida , e dotada de um espírito livre que fascina o rapaz criado sob severa pompa burguesa. Desse encontro surge uma singular relação que muda a rotina de ambos.


Esse filme de humor negro e final inusitado acabou se tornando um cult nos pessimistas anos do governo Nixon , não apenas pela ácida critica social , mas também pela maneira sombria como aborda os temas do existencialismo, morte, suicídio, amor. A relação dos dois é de certa forma uma materialização fílmica do choque social que ocorreu na América dos anos 70: a passagem do idealismo hippie e das idéias progressistas da então recém terminada década de 60 (a realidade de Maude - e aparentemente idéias caras ao realizador), para uma realidade mais pragmática e conservadora (a realidade de Harold) que seria a tônica à partir de então (e que atingiria o apogeu nos anos Reagan). 


Titulo original : Harold and Maude
Ano : 1971
Diretor : Hal Ashby
País : USA
Awards : Globo de Ouro / BAFTA Awards / National Film Preservation Board, USA / Festival Internacional de cinema de Valladolid



domingo, 22 de novembro de 2009

O Dinheiro



Esse interessante e reflexivo filme (o ultimo do cineasta francês Robert Bresson) examina um mundo mal e corrupto ao mostrar uma série de eventos desastrosos resultantes de um pretenso pequeno delito de dois rapazes de classe média: o uso de uma cédula falsa.


Mesmo sendo todo contado num tom minimalista e sem artificialidades (sem trilha, sem efeitos, uma França caindo aos pedaços, nenhum glamour) trata-se de uma forte observação de valores e costumes, pois o filme funciona como um bom ensaio sobre honestidade, sociedade, ética e a queda do homem. Ou seja, típico filme de Bresson.


O roteiro é baseado num conto de Tolstoi, cujo tema é o universal (e controverso) conceito de que o dinheiro é a raiz de todos os males, o veneno que corrompe a alma. Bresson fez um grande esforço para levar essa obra até o final, pois já passava dos 80 anos, mas o resultado foi um reflexivo, belo e sutil filme desse diretor influente que deixou sua forte marca no cinema francês.


Titulo original : L'Argent
Ano : 1983
Diretor : Robert Bresson
País : França / Suiça
Awards : Cannes / Prêmio César de cinema Francês / National Society of Film Critics Awards, USA 


sábado, 21 de novembro de 2009

Vida de cigano


Perhan é um inocente e telecinético rapaz cigano que vive em um tremendo favelão na antiga Iugoslávia, num barraco junto de sua avó, irmã, um tio maluco, e do seu peru de estimação. Justo quando começa a despertar para o amor e a vida adulta, sua irmã menor precisa subitamente de uma cirurgia, e Perhan se vê forçado a seguir para a vizinha Itália com uma quadrilha de ciganos que vivem de pequenos golpes.


Esse é um excelente filme, totalmente felliniano com todos seus simbolismos, e do belo ao trágico, é de partir o coração ! O filme é o único já feito falado inteiramente na língua cigana  Rom, e  não tem pudores ao retratar as razões pelas quais os ciganos são tão odiados por todos os lugares do planeta (sobretudo pela abominável cultura de exploração de mulheres e crianças), sendo esse inclusive um dos diversos motivos que causaria pouco tempo depois a implosão da Iugoslávia em republiquetas que não conseguiram lidar com o seu caldeirão étnico criado na marra. Um filme precioso.


Titulo original : Dom Za Vesanje
Ano : 1988
Diretor : Emir Kusturica
País : Iugoslávia / Itália / UK
Awards :  Cannes / Guldbagge Bästa utländska film / European Film Award / Prêmio César França / Condor de Prata Argentina / Istanbul International Film Festival / Mostra de cinema Petrobrás .


quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O Tambor


Esse belíssimo filme conta a história do incomum Oskar, um menino temperamental que se relaciona com o mundo através de seu indefectível tamborzinho, enquanto crescia em Danzig. No período do entreguerras, a cidade de Danzig foi declarada território livre, porém reclamada tanto por Polônia quanto Alemanha, e dessa disputa surgiria o motivo "oficial" do início da 2a Guerra.



Esse é um filme brilhante por diversos motivos, pois não se trata apenas de um mero drama de guerra, mas de uma obra que usa de um realismo mágico para capturar a loucura e as tragédias resultantes da alienação de uma sociedade seduzida pelo nazismo. Ao mesmo tempo que conta a estória de Oscar, esse personagem assustadoramente forte, impressionante mesmo, sem se preocupar nem um pouco com panos quentes (chegou a ser banido em alguns lugares nos EUA pelo teor controverso de algumas sequências).
Como curiosidade, a capa do primeiro EP do Joy Division (An Ideal for living) um menino tocando o seu tambor, é uma alusão a Oskar e à juventude nazista.


Um filme raro e maravilhoso, uma coleção de cenas excelentes e antológicas, que progride lentamente em direção à alegoria e ao surrealismo. Uma aula de cinema, narrativa, direção, e uma obra prima imperdível.



 
 
Titulo original : Die Blechtrommel
Ano : 1979
Diretor : Volker Schlöndorff
País : Alemanha / Polônia / Iugoslávia / França
Awards :  Cannes / Globo de Ouro / Oscar / Prêmio César França / Academia Japonesa de cinema / Blue Ribbon Award / Prêmio Bodil de cinema / Prêmio de cinema Alemão / Hochi Film Award Japão / KCFCC Award / Kinema Junpo Award / Prêmio Sant Jordi / National Board of Review, USA

 

O Espirito da colmeia


Em uma pequena vila cinzenta da Espanha, em 1940, vive Ana, uma linda menina de 7 anos, imersa num mundo de imaginação e fantasias; ao lado de sua irmã Isabel, sua mãe silenciosa que escreve cartas a um destinatário que não existe, e seu pai, um homem austero e aficionado por abelhas.


Quando um cinema mambembe chega na vila e projeta uma sessão tosca do clássico Frankenstein, Ana se assusta profundamente com a  possibilidade da morte, que descobre ao assisti-lo. Esse é um filme muito sutil, alegórico e misterioso, mas ao mesmo tempo estranhamente belo e cativante. A menina Ana é uma espécie de pequena Amelie Poulain, só que numa versão mais dark, que vive a vida entre o sonho e o assombro. Com uma forte marca vanguardista espanhola e uma tremenda delicadeza, esse filme é um grande elogio à imaginação. O realizador Victor Erice conseguiu através dele contestar o franquismo sem ser pego pelos sensores.




O filme é carregado de simbologia, que costuma ser entendida como mensagens veladas sobre a situação da Espanha de então, que ainda vivia os anos finais do regime de Franco, na verdade bem mais brando do que antes, mas ainda assim presente. A desintegração da vida emocional familiar é uma metáfora da desintegração do país durante a Guerra Civil. O isolamento da casa da família seria o isolamento da Espanha na comunidade internacional nos anos Franco. Ana representaria a pureza do ideal republicano, enquanto sua irmã representaria o pragmatismo do regime de extrema direta. Frankenstein é o monstro do comunismo, como visto pelos nacionalistas. Finalmente o tal "espírito da colmeia" era o espírito da própria nação espanhola nos anos do fascismo: um país organizado e ordeiro, mas castrado de identidade própria. Estavam todos condenados a serem abelhas numa colmeia. 

Titulo original : El Espiritu de la colmena
Ano : 1973
Diretor : Victor Erice
País : Espanha
Awards : Festival de Tellurid / Festival de cinema de Veneza / Prêmio Fotograma de Plata - Espanha / Festival de cinema de San Sebastian / Prêmio ACE NY / Cinema Writers Circle Awards, Spain

 

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A Classe dominante





Na velha Inglaterra, um proeminente membro da casa dos Lordes morre ridiculamente durante uma brincadeira de auto-asfixia erótica, e deixa por testamento sua enormidade de bens, assim como o direito de ocupar o seu cargo no parlamento, para seu único filho e Herdeiro, Jack. Porém Jack é um maluco de carteirinha (o talentoso Peter O'Toole) que acredita piamente ser Deus, Jesus e o Espírito santo, e entre outras coisas, passa os dias pendurado em uma enorme cruz de madeira. Mas o restante da família está de olho na herança, e conspira ardilosamente para tirar Jack do caminho a qualquer custo.


O diretor hungaro Peter Medak chutou o balde nessa superior comédia, ácida, demolidora e britânica nos detalhes, bem à moda Monty Python. Mesmo correndo riscos (sátira não é para qualquer público) Medak não economizou em blasfêmias e ataques contra a decadente aristocracia britânica, suas bizarras idiossincrasias, sua "moral" desconcertante e seu caduco sistema de classes, institucionalizado desde sei lá quando. Um murro na cara dos ingleses que insistem em permanecer à sombra da morfética e odiosa imagem de Oliver Cromwell. Eu aposto que esse é o filme predileto de toda a turma que grita republica pelos pubs ingleses, porque ele é de fato relevante para o momento em que foi feito. Uma obra hilária, sensacional, um genuíno insulto cinematográfico.


Titulo Original : The Ruling Class
Ano : 1972
Diretor : Peter Medak
País : UK
Awards : Cannes / Globo de Ouro / Oscar / National Board of Review


Obs: a versão da postagem dispões de versões em inglês, às quais recorri para conseguir entender o inglês britânico castiço dos atores. Aconselho, à menos que o leitor seja nascido na velha ilha do norte.



segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Clean , Shaven




Peter é um jovem esquizofrênico, cujo mundo é repleto de vozes gritando, ruídos eletrônicos, imagens desconcertantes e que vive alternado entre a indigência completa e períodos passados na casa de sua mãe. Contudo, Peter tem uma filha que foi dada para adoção em vista das circunstâncias, porém essa ideia o atormenta ainda mais, levando Peter a procurar contato com a menina.


Quando violentos homicídios começam a acontecer no repelente vilarejo em que Peter reside, as suspeitas da Polícia recaem sobre ele imediatamente.
Esse angustiante filme, perturbador e de poucos diálogos, consegue ser cativante na medida que o diretor bissexto Lodge Kerrigan dá a medida exata do tormento do rapaz, quase antecipando o momento da tragédia.



Titulo original : Clean, Shaven
Diretor : Lodge Kerrigan
Ano : 1993
País : USA
Awards : Sundance Film Festival / Independent Spirit Awards  / Telluride Film Festival



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