quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O Fantasma da liberdade




Nesse espetacular filme Buñuel apresenta uma série de episódios interligados, todos muito bem amarrados a partir de algum personagem, partindo desde a Toledo ocupada por Napoleão em 1808 até a França contemporânea. Obviamente em se tratando de Buñuel, tudo é pretexto para se subverter a realidade e sacanear sem dó todo tipo de impostura social e costumes burgueses, usando o conceito de que a liberdade é o parâmetro pelo qual medimos nossas leis e convenções. Como em todas as obras de Buñuel, igreja e polícia levam a pior, obviamente.


A peculiar narrativa de Buñuel constrói o filme como se a montagem fosse análoga ao trabalho do sonho, conforme teorizado por Freud nos primórdios da teoria psicanalítica, o que foi aliás a norma de seus últimos filmes. Uma continuação aliás natural para o patrono do cinema surrealista. Portanto não espere linearidade ou respostas fáceis, mas um intrincado quebra cabeças cheio de simbologias e polissemias.  É complicado falar que exista um "melhor" filme desse genial diretor, mas na minha modestíssima opinião é um filme irretocável desse mestre, cheio de sequências antológicas, que subvertem a realidade para retratá-la com perfeição. 

 

Titulo original : Le Fantôme de la Liberté
Ano : 1974
Diretor : Luis Buñuel
País : França / Itália
Awards : Italian National Syndicate of Film Journalists 


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