quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Wise blood


John Huston dirigiu esse obscuro filme, ambientado no sul dos Estados Unidos, que gira em torno de Hazel, um veterano de guerra intransigente e temperamental, mas também obcecado pelo tema pecado/salvação/inferno, já que era neto de um pastor pentecostal (o próprio Huston fazendo uma pontinha).  Acontece que  Hazel perdeu toda a sua fé, mas mesmo assim pretende angariar seguidores fundando uma igreja própria lá nos cafundós do deep south americano, a Igreja sem Cristo, onde, de acordo com as suas palavras no sermão "Os cegos não vêem, os aleijados não andam e os mortos permanecem como estão".  




Esse filme, extremamente raro, profundamente provocador, situado entre uma tragédia e uma comédia de humor negro, dá uma geral nos folclóricos absurdos sulistas (Huston nasceu no Mississipi, mas depois rodou o mundo, e na volta viu como tudo aquilo era mesmo estranho), e também aborda muito bem o tema da fé, do pentecostalismo e dos aproveitadores da crença alheia, que são 40 anos depois de sua realização (e para o meu espanto) temas de máxima relevância, ao menos nas três Américas. O filme é uma adaptação (dizem - jamais li) quase que literal do título de mesmo nome escrito pela ensaísta americana Flannery O'Connor, cuja obra dava grande destaque aos grotescos valores da América profunda, assim como sua dose de  pobreza, alienação e violência.

Titulo Original : Wise blood
Ano : 1979
Diretor : John Huston
País : Alemanha / USA
Awards : nenhum



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