quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

A Banda

 

Uma pequena banda militar egípcia , liderada pelo orgulhoso general Tewfiq (que é a cara do Zé bonitinho!) chega em Israel após ser convidada a tocar na abertura de um centro cultural árabe . Porém, por conta de uma confusão linguística , acabam parando em uma cidadezinha ordinária e esquecida por Yaveh , em pleno deserto de Nagev ! Lá o general conhece uma israelense de espírito livre , com quem cria um delicado vínculo emocional.



Esse filme simples e levinho , é uma forma divertida de se dizer que árabes e judeus poderiam por de lado as suas diferenças políticas e ideológicas , e descobrirem surpresos que são ambos feitos exatamente do mesmo material humano. Um filme que coloca no lugar de conflitos e ódio , um pouco de humor e otimismo para o futuro !



Título original : Bikur Ha - Tizmoret
Ano : 2007
Diretor : Eran Korilin
País : Israel / França / USA
Awards : Independent Spirit Award / Jerusalem Film Festival / Award of the Israeli Film Academy / Cannes / Chicago Film Critics Association Awards / Cinefan - Festival of Asian and Arab Cinema / Cinemanila International Film Festival / European Film Award / Fantasporto / Flanders International Film Festival / Molodist International Film Festival / Mons International Festival of Love Films / Montréal Festival of New Cinema / Munich Film Festival / Palm Springs International Film Festival / Sarajevo Film Festival / Sofia International Film Festival / Tokyo International Film Festival / Valladolid International Film Festival / Warsaw Award / Zurich Film Festival

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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Faces


Um típico casal de classe média alta enfrenta uma grave crise conjugal em função da rotina e do tédio . No limiar da separação , cada um dá o seu jeito de preencher o espaço destinado ao afeto de alguma maneira : o esposo se aproxima de uma prostituta para executivos já meio rodada , e a esposa se envolve com um patético galã de subúrbio. Esse angustiante filme é mais uma análise da decadência no sonho americano , do inovador diretor americano John Cassavetes , feita literalmente na cara (faces !) dos seus personagens , cujos sonhos despedaçados são duramente mostrados ao sufocado expectador . 



O inusitado movimento de câmeras por entre os personagens e a crueza das cenas dá um tom de realismo , que somado ao peso do tema e a completa ausência de esperança , fazem de Faces uma experiência que pode até exaurir um expectador que aprecie comédias românticas , gênero do qual inclusive este filme é a antítese completa , já que John tem a intenção de causar ressaca na audiência. Por causa disso Cassavetes morreu solenemente ignorado pelo público Yankee , pois mesmo que retratasse personagens genuinamente americanos em seus filmes , o fazia enfatizando o vazio existêncial , à moda francesa (o cara era adorado na Europa) . Faces é tido como o seu filme mais representativo (assim como Uma mulher sob a influência , já postado aqui).




Titulo Original : Faces
Ano : 1968
Diretor : John Cassavetes
País : USA
Awards : Leão de Ouro em Veneza / Oscar / National Society of Film Critics Awards, USA / Writers Guild of America, USA


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sábado, 26 de dezembro de 2009

O Homem espantalho



Na fria e alcoólica Escócia , o pacato e católico sargento Howie viaja até uma vila remota na costa norte do país para investigar o desaparecimento de uma menina. Ao chegar no vilarejo Howie se choca ao perceber que todos os habitantes do local deram às costas ao cristianismo para seguirem com total dedicação rituais pagãos herdados dos seus ancestrais celtas e nórdicos . Porém esses rituais envolvendo orgias e sacrifícios são ainda mais chocantes e bizarros do que os rituais cristãos.







Esse é um clássico entre os cults , tido geralmente como filme de terror , mas que na verdade é um thriller atmosférico , envolvente e inteligente , que reflete bem o espírito do seu tempo . O filme aborda a inevitável questão da crise de fé , e numa boa sacação , " toma de volta " a real vocação religiosa de uma terra que sofreu uma (brutal) cristianização forçada através dos séculos . Um bom filme que não merecia aquele remake tão ruim (e existe remake bom ??..)






Titulo original : The Wicker man
Ano : 1976
País : UK
Diretor : Robin Hardy
Awards : Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films, USA / Satellite Awards

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sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

A Palavra




Em uma vila camponesa e conservadora da Dinamarca, Morten Borgen, um fazendeiro protestante e viúvo vive com seus filhos num ambiente de irrepreensível zelo religioso. Quando seu neto se apaixona pela filha de um alfaiate que pertence à uma outra denominação protestante, os dois são impedidos de se casar em virtude das divergências entre as duas famílias, que entram então num processo de disputa denominacional. Porém, durante esta quimera ideológica , acontecem eventos que colocarão a fé de Morten à prova.






Esse filme é antes de tudo uma abordagem completamente fantasmagórica e psicológica dessa curiosa invenção humana chamada de religião, e uma reflexão em torno de sua temática sobrenatural. Lindamente fotografado em preto e branco pelo diretor/lenda Carl Theodor Dreyer, que foi ninguém menos que o diretor mítico que seduziu toda uma geração de cineastas, desde Bergman (que o seguiu passo a passo pelo que parece) até toda a turma da modernidade francesa dos anos seguintes. O enigmático final do filme é um curioso objeto de debates ao longo dos anos, do tipo ame ou odeie, de acordo com a orientação de fé do espectador e de sua tolerância do que é racional ou metafísico. Independente disso é de fato uma obra que impressiona demais como cinema, e pelo que sei é o único cult que tenho notícia de algum surtado que assistiu ajoelhado perante a tela. Mas com certeza não deixa indiferente o religioso mais pio ou o ateu mais sereno, obviamente por motivos distintos.





Dreyer é de fato um diretor especial, único, que nos deu clássicos como "O Vampiro" e "A paixão de Joana Darc". Egresso do cinema mudo e do expressionismo alemão, preservou dentro do seu cinema falado uma dimensão narrativa que jamais sobrepõe os princípios mais elementares do cinema primitivo. Cabe aqui igualmente, algumas linhas sobre o "cinema espiritualizado", conforme teorizado pelo monge cinéfilo francês Amédée Ayfre, e que existiu como sub gênero nos anos do pós guerra. 

Inspirado na contemporânea corrente filosófica do "existencialismo cristão" de Emmanuel Mounier (em oposição ao existencialismo ateu de Sartre), esses cineastas (dentre os quais Dreyer é um expoente) se utilizavam da capacidade quase ontológica da câmera em se apropriar do mundo e revelar todas as suas dimensões. E, à partir deste princípio do cinema como criador de epifanias, introduzir no interior do texto fílmico o sentimento do sagrado e do espiritual. Veja o filme e entenda a teorização.


                       



Titulo original : Ordet
Ano : 1955
Diretor : Carl Theodor Dreyer
País : Dinamarca
Awards : Leão de Ouro em Veneza / Cannes / National Board of Review, USA / Globo de Ouro

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Mephisto


Höfgen é um ambicioso ator de teatro alemão , que nos anos incipientes do nazismo , trilha um caminho de fama e respeito em Berlim , a ponto de interpretar o diabinho Mephisto e cair nas graças de ninguém menos que o primeiro ministro alemão. Höfgen se vê então dividido entre a renúncia de seus antigos ideais e amigos , e a embriagante proximidade do poder nazista em franca ascenção.




Usando a metáfora do icônico e mais célebre romance alemão , " Faust" , de Goethe , onde um homem vende a sua alma ao diabo em troca de ganhos mundanos, o diretor húngaro István Szabó adaptou a história verdadeira do ator Gustav Grundens , que se tornou a menina dos olhos do terceiro Reich . Um filme espetacular , que aborda de um outro ponto de vista , a escalada nazi facista.



Titulo original : Mephisto
Ano : 1981
Diretor : István Szabó
País : Hungria / Austria / Alemanha oriental
Awards : Festival de Cannes / David di Donatello Awards / Oscar / BAFTA Awards / Guild of German Art House Cinemas / Italian National Syndicate of Film Journalists / London Critics Circle Film Awards / NBR Award / Jussi Awards

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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Viridiana


Viridiana é uma jovem noviça que ao sair da clausura para visitar seu tio e benfeitor , decide abandonar o hábito e ajudar os pobres como uma religiosa leiga . Sendo assim , ela reúne vários necessitados em sua propriedade e passa a assisti-los com sua obra social , mesmo contra a vontade de seu primo descrente.



Esse é o primeiro filme que Buñuel filmou na Espanha (Madrid e Toledo) após o seu exílio no México , e para esse retorno deixou de lado qualquer resquício de surrealismo para se focar na grave crise social que assolava o país após anos de estúpida guerra civíl . Obviamente o cara não se priva de dar o seu sacode no catolicismo , porém , maior do que uma declaração de ausência na fé em qualquer religiosidade (o que ele iria deixar guardado para a obra prima Via láctea) está a declaração na ausência de fé no próprio homem , com sua natureza corrupta e má .


Buñel prepara tudo para o apoteótico final (o banquete dos mendigos é um dos pontos altos da sua filmografia )  , com sua particular visão da santa ceia e outras coisas beeem cabeludas que deixou nas entrelinhas.  Buñel foi o corajoso mestre , um magnífico canalha que alegra os nossos corações ! Curiosamente , o tão comentado retorno de Buñuel à Espanha não podia dar em outra coisa senão o banimento do filme por blasfêmia e obscenidade , uma "distinção" que foi uma verdadeira vitória para o provocador ..

Titulo original : Viridiana
Ano : 1961
Diretor : Luis Buñuel
País : Espanha / México
Awards : Festival de Cannes


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sábado, 19 de dezembro de 2009

Coração de vidro


Uma pequena vila da Bavária gira em torno da produção de um renomado vidro , conhecido como vidro rubi . Porém , o mestre vidraceiro morre sem deixar o segredo de sua fabricação. O proprietário da vidraçaria se torna progressivamente enlouquecido ao tentar obter a qualquer custo esse segredo , ao mesmo tempo que toda a vila perde o seu rumo por conta da ausência do vidro. Enquanto isso , His , um camponês clarividente observa o futuro próximo , e posteriormente vê o futuro que se encontra muito adiante.




Sem dúvida esse belo filme é o mais "difícil" do mestre Herzog . Nessa obra hipnótica e metafórica , o diretor usa simbolismos para descrever , por exemplo , eventos relacionados a primeira e segunda guerra através das visões de His . Com a sua linguagem que tradicionalmente varia do estilizado ao realismo mais cru , essa é mais uma alegoria poética do grande Werner Herzog , que não se mede pelos padrões convencionais.





Titulo original : Herz au glas
Ano : 1976
Diretor : Werner Herzog
País : Alemanha
Awards : German Film Award / Telluride Film Festival

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Ko to tamo peva



No ano de 1941 , durante o expansionismo nazista pela Europa , um ônibus que é praticamente uma sucata recolhe alguns tipos inusitados  pelas estradas do desolador interior da Iugoslávia  para levá-los até Belgrado. Porém , uma ponte caída , um funeral ,  e mais alguns estranhos impecilhos complicam a viagem .




Esse simpático filme é na verdade uma boa olhada no próprio umbigo da discórdia em uma turbulenta nação que acabou sucumbindo à sua própria multiplicidade étnica e cultural . Estão todos lá : os eslavos orgulhosos , um padre católico grego , dois ciganos desprezados , um boçal simpatizante nazista e algumas outras figuraças . Enfim , um acurado retrato da absurda mentalidade sérvia reinante na Iugoslávia de então. O curioso é que esse obscuro filme é contado como uma ingênua comédia no melhor estilo Brancaleone (ou mesmo Magical Mistery tour dos balcans!) . Assim como o magnífico Vida de cigano (já postado aqui) , é uma obra de encher os olhos de qualquer amante de cinema !




Titulo original : Ko to tamo peva
Ano : 1980
Diretor : Slobodan Sijan
País : Iugoslávia
Awards : Pula Film Festival of Yugoslavian Films / Festival de cinema de Montreal / Festival do cinema cigano de Santa Mônica

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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A Garota da fábrica de fósforos



Iris , uma mulher solitária , triste e sem atrativos , trabalha como operária em uma fábrica de fósforos de Helsinki . Iris é uma autêntica low life cuja vida não tem qualquer horizonte. Vivendo com seus pais num precário conjugado , espera desesperadamente por qualquer coisa da vida que lhe traga algum traço de alegria que possa lhe aliviar de tamanho fatalismo.



Esse é um impressionante filme , que mesmo utilizando a estética do silêncio transmite mais emoção do que um milhão de explosões Hollywoodianas , tamanha a sua intensidade dramática. Ambientado numa Finlândia incrivelmente feia , muito distante da idéia do paraíso escândinavo que eu imaginaria , é o tipo de filme sem esperança , melancólico ,  mas ainda assim (ou talvez por isso) tocante e belo . Prova de que a linguagem do cinema é virtualmente infinita em suas possibilidades ..






Titulo original : Tulitikkutehtaan tyttö
Ano : 1990
Diretor : Aki Kaurismäki
País : Finlândia / Suécia
Awards : Festival de Berlim / European Film Award / Jussi Awards


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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

As coisas simples da vida


Em uma família de classe média da moderna Taiwan , cada membro está vivendo um momento de inquietação existencial , em virtude das tais coisas simples da vida (que acabam se mostrando nada simples) : crescer e descobrir o mundo , amar , lidar com as pequenas/grandes questões do cotidiano , carreira , ambições , casamento ,  crises familiares , escolhas e sobretudo os efeitos destas escolhas. 



Usando como pano de fundo o processo de uma modernizante ocidentalização dos costumes em uma sociedade , resultando na perda de sua própria identidade , o filme faz uma observação genuina  das emoções  , de forma eloquente numa linguagem humana e universal , sem virar um melodrama . Um filme cujo mérito é sua própria simplicidade .



Titulo original : Yi yi
Ano : 2000
Diretor :  Edward Yang
País : Taiwan / Japão
Awards : Cannes / Bodil Awards / Chicago Film Critics Association Awards / Chlotrudis Award / Screen International Award / French Syndicate of Cinema Critics / Fribourg International Film Festival / Hong Kong Film Award / Netpac Award / Los Angeles Film Critics Association Awards / New York Film Critics Circle Awards / Sarajevo Film Festival / Valladolid International Film Festival / Vancouver International Film Festival / Toronto International Film Festival

sábado, 12 de dezembro de 2009

Terra Prometida


No final do século 19 , Lodz na Polônia era um grande centro da industria têxtil . Três jovens amigos , um nobre polaco , um rico judeu , e um inteligente alemão (emblemáticamente as três "etnias" formadoras do povo polonês ) se unem para criar a sua própria fabrica de tecidos , deixando de lado ética ou limites que possam atrapalhar esse projeto .




Esse é um poderoso épico polonês , feito durante os anos do comunismo , e que por trás de um excelente filme traz também uma óbvia mensagem ideológica. O célebre diretor Andrzej Wajda  se foca na desigualdade social e agruras do proletariado , enquanto retrata os milionários da industria quase como monstros. Porém , além do evidente ataque ao capitalismo , Wajda corajosamente atirou pedras contra o próprio telhado polonês , ao mostrar uma sequência em que trabalhadores são baleados em um piquete nos portões da fábrica , que na verdade é um comentário de um fato real ocorrido anos antes na então Polônia comunista.


O cara nunca escondeu suas intenções políticas , mais tarde se juntou ao Solidariedade de Lech Walesa , e o resto é história .. Enfim , dentro do contexto , é um produto do seu tempo. Mas acima de tudo , é um filmaço , uma obra que vai além do comentário social , mostrando as interessantes peculiaridades de uma sociedade de história tão intrigante como a Polônia.




Titulo original : Ziemia Obiecana
Ano : 1975
Diretor : Andrzej Wajda
País : Polônia
Awards : Festival Internacional de Cinema de Moscow / Festival de cinema Polonês / Oscar / Valladolid International Film Festival


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