terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A Grande testemunha


Balthazar é um nobre burrinho cuja vida é toda retratada nessa curiosa obra, desde a sua infância mágica adulado por crianças que o amavam, até alguns maus bocados que o destino lhe prepararia na vida adulta. Em paralelo, é contada a evolução na vida dos seus diversos proprietários e das pessoas que o cercam com o passar dos anos. Mas a mensagem central é clara: quem seria afinal o verdadeiro animal irracional, o burro ou o homem ?



Esse filme é uma bonita parábola do diretor francês Robert Bresson (de O dinheiro, já postado aqui), que por sua vez era um dedicado interessado em valores como ética, virtude, pureza; sempre mostrados em contraponto com os piores vícios da natureza humana. A partir dessa antítese Bresson, u dos patronos da Nouvelle Vague, conduzia os seus filmes com a austeridade costumeira, economia e estranheza eventual, mas sempre com sensibilidade acima do comum.


Um filme puro e metafórico, que de forma alguma encontraria lugar no pragmatismo do cinema atual, como bem disse o sempre afiado Godard, um grande fã de Bresson: "Esse filme sintetiza o mundo em uma hora e meia." Nada poderia estar mais correto. Um filme que é o próprio triunfo da simplicidade.  Sem dúvida uma das obras mais necessárias e emblemáticas de todo o cinema francês, e que deve ser devidamente esmiuçada por todo cinéfilo aplicado.



Título original : Au Hasard Balthazar
Ano : 1966
Diretor : Robert Bresson
País : França / Suécia
Awards : Adelaide Film Festival / Mar del Plata Film Festival / Wisconsin Film Festival / Vienna International Film Festival / Festival de Veneza

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