segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Anonyma



Filme alemão que conta a história de uma mulher anônima, uma jornalista berlinense bonita e culta que testemunha a humilhação final do terceiro reich em 1945, quando os soldados de Stalin marcharam sobre sua capital. Mas os homens do exército soviético, na maioria rudes cosacos, mongóis e camponeses ucrânianos, desejam mais do que a glória militar: eles querem como troféu, experimentar os encantos de uma bela mulher germânica, e Nina torna-se uma vítima certa. Filme baseado no livro "Eine frau in Berlin", que finalmente quebrava o silêncio que pairou por anos em torno da onda de estupros que varreu Berlim nos primeiros tempos da ocupação soviética. Trata-se de uma ferida profunda na história alemã, e um terrível golpe no orgulho germânico. Relatos históricos testemunham que, de fato, uma enorme proporção de mulheres alemãs, desde adolescentes até idosas, foram estupradas não apenas por um ou dois soldados, mas té por mais de vinte deles em seguida. 




O filme não explora apenas os estupros, mas coloca em sub texto uma excelente reflexão sobre aquilo que faz o tema segunda guerra ser assim tão fascinante: como pôde a Alemanha, um país rico, culto e democrático, abandonar seus valores civilizados em tão pouco tempo, e criar uma guerra de pilhagem, racismo e genocídio sem paralelos na história da humanidade ? O filme mostra com precisão o buraco profundo no qual o país se meteu após o final do conflito, quando seu próprio povo foi exposto à barbárie que antes perpetuou. É um belo retrato do chamado "ano zero" da história alemã, do doloroso e necessário marco inicial para o país, mais de quarenta anos depois disso, finalmente emergir como a bela Alemanha que temos hoje: um país de paz, prosperidade, beleza e tolerância, e que sobretudo, como bem demonstra esta obra, não tem medo de remexer o próprio passado a fim de se evitarem os mesmos erros no futuro.




Título Original: Anonyma - Eine Frau in Berlin
Ano: 2008
Diretor: Max Farberbock
País: Alemanha / Polônia
Awards: Festival de Berlim / Toronto International Film Festival / Seattle International Film Festival / Keswick Film Festival / Santa Barbara International Film Festival / German Film Awards


                        

sábado, 10 de dezembro de 2011

Videodrome


Max é um oportunista executivo de um pequeno canal adulto canadense, que se interessa em veicular para seu público o sinal de uma misteriosa transmissão captada pela antena da emissora, cuja origem é desconhecida, e apresenta fortes cenas de violência sexual e tortura. Mas ele não desconfia que existe algo muito maior na origem daquilo . Videodrome é a visão profética de Cronenberg sobre a manipulação da mídia sobre as massas (através de shows de realidade - "Televisão é realidade e a realidade é menos que a televisão"), e das relações "carnais" entre homem e tecnologia, tudo, obviamente, narrado dentro de seu estilo escatológico e pessoal, com direito a vaginas estomacais inclusive..



Videodrome não é o seu melhor trabalho: o fato é que, e fica muito claro ao assistí-lo, o filme foi lançado sem ter sido terminado da maneira como foi originalmente concebido por David Cronenberg, o que não aconteceu por problemas pessoais do elenco e dificuldade em realizar certas sequências numa época em que tudo ainda era analógico. Foi lançado assim mesmo. Talvez este revés acabasse por envolver mais a obra em sua aura cult. Mas é um bom filme, um pouco caótico é verdade, mas de muita personalidade, e que, ainda, conta com a nossa amada Debbie Harry, linda, linda, linda. Fiquei um tempão sem assisti-lo, mas foi um feliz reencontro..



Título Original: Videodrome
Ano: 1983
Diretor: David Cronenberg
País: Canadá
Awards: Brussels International Festival of Fantasy Films / Fantafestival Itália / International Film Festival Rotterdam / CSC Award / Genie Awards

DVD

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O Profeta



Filmaço francês que conta a saga de Malik, um jovem magreb que ingressa em uma penitenciária francesa como nada mais do que um cadáver em potencial, mas através de suas astutas conexões com as facções criminosas árabes e italianas que mandam no lugar, consegue uma impressionante escalada social, ao ingressar de maneira forçada no ciclo de atrocidades do lugar.



O subgênero de filme-prisão prosperou bastante desde que surgiu, mas o clichê básico é sempre o mesmo, tentativas desesperadas de fuga do sacrificado protagonista. Aqui não é esse o foco, mas sim confirmar o que todos sabem: prisões, não importa onde for, são escolas de pós graduação e doutorado em crime, corrupção e matança. É o "Carandiru" francês gente, coisa fina ...

Título Original: Un Prophéte
Ano: 2009
Diretor: Jacques Audiard
País: França / Itália
Awards: Cannes / Sundance / Film and Art Festival Two Riversides / Telluride Film Festival / San Sebastian International Film Festival / Bangkok International Film Festival / Edmonton International Film Festival / Calgary Film Festival / London Film Festival / Vienna International Film Festival / Panorama of European Cinema / Mar del Plata Film Festival / European Union Film Festival / Festival Internacional de Cinema Negre de Manresa / Ottawa European Union Film Festival / French Cinepanorama Film Festival / Dubai International Film Festival

DVD

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Môjû



Michio é um atormentado escultor cego que torna-se obcecado por uma linda modelo fotográfica, e com a ajuda de sua onipresente mãe, a sequestra e a mantém em um fantástico cativeiro: doentio e claustrofóbico, onde pretende fazer uma estátua definitiva de sua musa maior .





Filme dark, depravado e fantástico, profundamente perturbador, ao mostrar uma relação do tipo mestre e servo que se transforma numa sinistra odisséia de perversão, destinada a chegar até o ultimo e mais revoltante limite sensorial  Uma obra profundamente psicanalítica que faz você refletir sobre o tipo de mente que a teria criado. Um filme de cruel beleza , maravilhosamente bizarro. Fãs de cinema Jap fantástico, não percam!





Título original : Môjû
Ano : 1969
Diretor : Yasuzo Masumura
País : Japão
Awards : Nenhum


                    

Das Boot



Na segunda guerra mundial, um submarino U - Boat alemão parte da França ocupada e ruma para a sua missão: destruir o máximo de metal possível da esquadra britânica. Mas eles não contavam com a boa pontaria dos súditos da rainha, e logo a viagem se transforma em um suplício para os jovens marujos à bordo.



Wolfgan Petersen começou a carreira dirigindo dramas alternativos (como A Consequência ), e filmes para TV, e acabou debutando no cinemão logo com este memorável épico do cinema alemão, que vai muito além do clichê "filme de guerra" ou "filme de submarino", e embora inegavelmente seja ambas as coisas, agrada aos fãs de cinema bem feito e de conteúdo. Clássico...

Título original: Das Boot
Ano: 1981
Diretor: Wolfgan petersen
País: Alemanha
Awards: Japanese Academy of Cinema / BAFTA Film Award / Bavarian Film Award / DGA Award / German Films Award / Golden Camera Germany / Golden Screen Germany / Globo de Ouro / Golden Reel Award USA


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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Deranged



Ezra é um sujeito de meia idade que ainda é o menino da mamãe, e não consegue separar-se dela nem mesmo depois de sua morte. Para resolver esta questão encontra a solução mais inusitada: empalhar o cadáver da mamãe e mantê-la sob seus mimos e cuidados de sempre. Mas Ezra gosta do que fez, e não quer mais parar..



Filme baseado no caso real de um fazendeiro americano violador de sepulturas e necrófilo, com um resultado final levemente (e involuntariamente) cômico, do tipo alegoria da carniça. Bom para assistir sem compromisso, como puro escapismo, sendo um deleite para os admiradores de filme B e porcarias setentistas. Uma simpatia de filme !

Título original: Deranged
Ano: 1974
País: Canadá / USA
Diretor: Jeff Gillen / Alan Ormsby
Awards: Nenhum

VHS

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Pi



Max Cohen é um atormentado matemático que acredita ser a natureza nada mais do que uma coleção de sequências e padrões numéricos. Progressivamente mais paranóico, passa a procurar por um mítico numeral que irá revelar o enigma da existência. Seu trabalho atrai a atenção de um grupo de judeus cabalísticos que acreditam ser a torah um código numérico messiânico.




Bacana filme independente americano, muito "moderno" para a época, representando de fato uma inovação de estilo, e com a trilha sonora bem hypada de trip hop e coisas quetais. Mistura matemática, metafísica e fantasia, resultando numa boa peça para os admiradores de cinema independente.

Título Original: Pi
Ano: 1997
País: USA
Diretor: Darren Aronofsky
Awards: Sundance / Fantasia International Film Festival / Deauville Film Festival / Vienna International Film Festival / Stockholm International Film Festival / Mar del Plata Film Festival / Thessaloniki International Film Festival


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terça-feira, 4 de outubro de 2011

L'été meurtrier


Pin Pon é um sujeito honesto, trabalhador e pacato, numa pequena vila do sul da França, que apaixona-se loucamente por Eliane, uma sedutora e estonteante mulher recém chegada na cidade. Porém, aos poucos, a moça vai revelando aspectos muito perturbadores de sua personalidade, resultantes de traumas mal resolvidos na sua infância e história familiar. Logo Pin Pon vê-se completamente envolvido no teatro neurótico de Eliane, arrastando junto dele também a sua família e mesmo a sua própria sanidade.



Taí uma bela peça para os amantes do cinema Francês, e um verdadeiro banquete psicanalítico para os interessados neste tema tão fascinante. O filme parece ter sido feito para ilustrar com clareza todo o colorido de uma neurose histérica juntamente de seus resíduos edipianos. Como se não bastasse, Isabelle Adjani ostenta aqui uma beleza comovente, além da interessante narrativa que expõe a trama sob a ótica de diversos personagens; Um filmaço do cinema francês, com direito à Yves Montand na trilha e tudo mais ...

Título Original: L'été meurtrier
Ano: 1983
Diretor: Jean Becker
País: França
Awards: Cannes / Prêmio César do Cnema Francês


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sábado, 1 de outubro de 2011

A Última Noite de Bóris Grushenko


Na Russia imperial, Bóris é um sujeito covarde, neurótico e filosófico, que acaba intimado a lutar por sua pátria quando as tropas francesas invadem, sob o domínio de Napoleão. Perdido na situação, acaba por se envolver em uma divertida intriga internacional. Sem meias palavras: trata-se da obra prima de Woody Allen. Woody, como você bem sabe, é Deus, simples assim, e por conta desta verdade incontestável nunca pensei em postar nada neste humilde blog, uma vez que o cara é uma das poucas unanimidades entre os cinéfilos, e todo mundo que ama cinema conhece sua obra de trás para frente. Porém, revendo este filmaço, me dei conta que ele é um dos menos lembrados do cara, e muitos ainda não estão iniciados em seu culto. Sendo assim ...



Parece injusto com todo o resto de sua filmografia nomear esta obra como o ponto máximo de sua criação, mas foi nele que Allen melhor reuniu seus elementos, influências e marcas. Seu gênio enfim. Ele próprio já falou algumas vezes que este é seu filme predileto, mesmo sendo um dos menos amados por seus fãs. Como Bóris, o seu habitual alter-Ego neurótico e filosófico está mais escroto do que jamais esteve ! Bóris poderia ser definido como se Didi Mocó, no auge de sua forma cômica, fosse um personagem de Fiodór Dostoievsky, existencialista e atormentado. Além disso há sua visão afetuosa e fantástica da Rússia Czarista, sobre sexo e depravação, seu culto à filosofia, seu ateísmo, e aí por diante. Como se não bastasse a indefectível Diane Keaton está absolutamente linda em todo seu frescor juvenil.



Um filme autoral é algo que está virtual e tristemente extinto hoje em dia. Mas Allen não conhece cinema de outra forma, e colocou nele óbvias referências à seu mestre Bergman: a personificação da morte do clássico "O Sétimo selo" (só que aqui vestida de branco), assim como refez em paródia a cena do trigo de "Persona". Além disso cita nominalmente "Os irmãos Karamazov" de Dostoievsky, assim como há referências mais ou menos diretas de "O Retorno do Idiota", do mesmo autor. Fique atento, porque há diversos presentinhos aqui e ali, em meio de suas tiradas surreais ou simplesmente panacas mesmo, do tipo sorvete na testa.




Adoro os filmes de Allen ambientados na New York classe média, que é afinal seu meio natural e marca registrada, mas acho que a qualidade vai nas alturas quando se aventura fora de seu mundo. Aqui chama a atenção a qualidade da fotografia, como uma resposta aos críticos que assumem Allen como um cara fraco de técnica. Bullshit ! Essa postagem é também uma homenagem à esse cineasta completo (escreve, produz, dirige e atua) que é um dos grandes mestres. E ele já está velhinho, e me provoca arrepios a idéia de vivermos em um mundo sem Woody Allen, afinal o cara esnobou a academia e sobreviveu para contar. Oh ! A humanidade ! ...

Título Original: Love and Death
Ano: 1975
Diretor: Woody Allen
País: França / USA
Awards: Berlin International Film Festival


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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Mister Lonely







Este é um estranhíssimo e agridoce filme de teor existencialista. Uma alegoria que usa de ternura e fantasia para tratar de temas sombrios e desagradáveis (solidão, loucura, inadequação, velhice, morte) através de duas histórias independentes, narradas em paralelo. Na primeira, um jovem imitador de Michael Jackson (a escolha não foi por acaso), solitário e patético, vai viver em uma comunidade onde todos os habitantes, assim como ele próprio, também anularam a própria personalidade em favor de algum personagem.





Na segunda história um grupo de freiras em missão nas selvas do Panamá colocam a própria fé à prova quando descobrem que são capazes de voar (referência pop imediata: A noviça Voadora, e claro Flying Padre, de Kubrick!). Chama atenção aqui a presença de ninguém menos que o grande cineasta alemão Werner Herzog, apenas atuando, no papel do padre da missão. Só isso já valeria o filme, mas a dinâmica da narrativa, que vai do doce ao tenebroso, agrada. Uma excelente reflexão, polissêmica, em torno do tema da apropriação, tanto na forma do filme, quanto no seu fundo.





Titulo Original : Mister Lonely
Diretor : Harmony Korine
Ano : 2007
País : França / USA / Irlanda / UK
Awards : Cannes / London Festival / Tribeca Festival / Toronto Festival 

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Jesus Camp







Os americanos morrem de medo daquilo que os fundamentalistas religiosos de outros países podem fazer contra eles , mas é no próprio coração da américa que a religiosidade se funde a loucura e insensatez .




Esse fenomenal documentário está sem duvida entre os 5 melhores filmes que assisti esse ano ! É uma assustadora jornada pelo reduto neopetencostal americano , mostrando que a religião pode sim ser um veneno , e que a fé pode remover muito mais que montanhas : mas os próprios neurônios dos seres humanos que a tem.



Um filme imperdível que com certeza leva a reflexões profundas por parte daqueles  que tem fé ou dos que já deixaram de ter. Um desfile de tipos excêntricos , repelentes e revoltantes, saídos direto de um lugar muito estranho : a América do cinturão da Bíblia. Imperdível..


Titulo Original : Jesus Camp
Diretor : Heidi Ewing, Rachel Grady
Ano : 2006
País : USA
Awards : Tribeca Film Festival / Silverdocs Documentary Festival / Satellite Awards / Online Film Critics Society Awards / Oscar (indicação) / CFCA Award

sábado, 17 de setembro de 2011

Entre Deus e o Pecado


Elmer é um sujeito espertalhão, dotado de uma lábia afiada por anos de prática como vendedor itinerante de quinquilharias que costuma empurrar com facilidade para cima de seus pobres fregueses. Tais qualidades duvidosas conferem a Elmer as habilidades necessárias como uma luva para seu novo emprego dos sonhos: tornar-se um pastor evangélico, o que acaba fazendo ao associar-se à irmã Sharon Falconer, uma evangelista itinerante que roda o país à procura de novos crentes que sejam também pagadores de dízimos e ofertas.




Eis aqui um filme brilhante, do tipo que não existe mais, profundamente corajoso e atual com seus 50 anos de existência. Na época em que foi rodado, a Metro só topou produzi-lo depois de um período de mais de vinte anos em que o roteiro foi repetidamente rejeitado por onde circulou: ninguém queria mexer com um assunto tão delicado. Ainda hoje a América é um país temente a Deus, mas há meio século a coisa era ainda mais forte. Assim, o diretor Richard Brooks fez um excelente trabalho de direção, deixou clara a sua posição quanto religião e fé (seu alter Ego é claramente o jornalista Jim Lefferts), porém sem ofender as crenças de ninguém. Além disso Shirley Jones e Jean Simmons estão lindas... Um filmaço !

Título Original: Elmer Gantry
Diretor: Richard Brooks
Ano: 1960
País: USA
Awards: BAFTA Film Award / Golden Globe / Golden Laurel / NYFCC Award


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sábado, 10 de setembro de 2011

Domingo Maldito



Seminal filme britânico que retrata um triângulo amoroso entre três sujeitos de classe média: Alex, uma mulher divorciada e psicologicamente tumultuada, compartilha seu jovem e belo amante Bob, um artista bissexual, com o austero médico judeu Daniel Hirsch. Basicamente é uma história de amor tóxico, tantalizante, daquelas que fazem mal para todos os envolvidos. Hoje em dia filmes abertamente gays são comuns, mas na época ainda era algo considerado inovador. O fato é que 40 anos depois o filme é mais inovador do que a maioria das coisas lançadas hoje em dia.



A diferença aqui é o toque de classe de John Schlesinger, que dirigiu o filme brilhantemente, situando-o muito bem em seu momento de transição entre a swinging London Hippie e roqueira, e a Inglaterra sombria e em crise que iria persistir na década seguinte. Está tudo lá.  Optando por fazer um filme climático, um estudo de caráter e sentimentos, o falecido Schlesinger acabou criando um dos filmes adultos mais célebres do circuito de cinema de arte, que é bem raro inclusive (Não confunda com o homônimo de 2002, e nem com a canção do U2 ...)

Título Original: Sunday Bloody Sunday
Ano: 1971
Diretor: John Schlesinger
País: UK
Awards: Brno Gay and Lesbian Film Festival / BAFTA Film Award / London Lesbian and Gay Film Festival / Venice Film Festival / David di Donatello Awards / Directors Guild of America / Globo de Ouro / National Society of Film Critics Awards / New York Film Critics Circle Awards / Writers Guild of Great Britain Award

domingo, 14 de agosto de 2011

O Retrato de Dorian Gray



Dorian Gray é um jovem aristocrata britânico, que em meio às incertezas da juventude deixa-se influenciar pelas idéias de Lord Henry, um verdadeiro profeta do hedonismo, firme defensor de um ideal de vida baseado na beleza física e no prazer sem limites. As idéias cínicas e egocêntricas de Lord Henry acabam seduzindo o inocente Gray, que logo desejará ardentemente para si nada além do que manter sua bela figura e juventude para sempre. E Gray acaba conseguindo o que deseja, de uma maneira bastante interessante: um espetacular quadro pintado por seu artista pessoal, Basil Hallward, iria se decompor em seu lugar, enquanto o jovem permaneceria como um "Adônis feito de marfim e pétalas de rosa" eternamente...



Trata-se de uma adaptação magnífica da célebre obra de Oscar Wilde, o iconoclasta escritor irlandês que apavorou os bons costumes da velha Inglaterra em plena era vitoriana. Wilde era um sujeito culto e muito eloqüente, mas também excêntrico e mundano, cujos hábitos de vida incluíam bebedeiras, noitadas, e a então inadmissível prática do "amor que não ousa dizer o nome". Por causa deste hábito, Wilde, notório amante de diversos rapazes, acabou por ser preso acusado de sodomia, prática que era considerada criminosa no Reino Unido de então.


O filme é uma adaptação bastante fiel do livro. Por força das circunstâncias (é um filme de 1945 e produzido por um estúdio prestigiado) retrata a óbvia questão gay de maneira um tanto quanto velada, nas entrelinhas, porém evidente o bastante para ser percebida. Aqui e ali transbordam referências pessoais do próprio Wilde, além da homossexualidade, como o forte apego estético, a extravagância, o dandismo, a decadência, a misoginia, e sobretudo o narcisismo, o traço mais comentado de sua personalidade, pois afinal há um tanto de narcisismo no amor entre iguais, onde de certa forma busca-se a imagem de si mesmo no outro. Considerado como uma obra prima da literatura de língua inglesa, trata-se igualmente de um filme obrigatório.

Título original: The Picture of Dorian Gray
Ano: 1945
Diretor: Albert Lewin
País: USA
Awards: Globo de Ouro / Hugo Awards

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sábado, 13 de agosto de 2011

Micmacs à tire-larigot



A industria armamentista francesa tem uma ligação mórbida com o extravagante Bazil: seu pai foi morto por uma mina terrestre no Maghreb, e ele próprio carrega uma bala de revólver alojada em sua cabeça. Excluído da sociedade, ele se vê acolhido por um grupo de talentosos catadores de lixo, que elaboram um plano pacifista genial: tirar os barões da industria bélica fora do caminho da humanidade.




O trabalho de Jean Pierre Jeunet é fantástico. Sem dúvida ele é um dos grandes do cinema. Colecionando filmaços, mantém-se fiel à sua linguagem de cinema: fantasiosa, colorida e um tanto excêntrica. Desta vez dá uma aliviada na sua peculiar pegada surreal, mas mantém tranquilamente a sua assinatura de imaginação nessa obra circense-cinematográfica. Um belo filme !

Título Original: Micmacs à tire-larigot
Ano: 2009
Diretor: Jean Pierre Jeunet
País : França
Awards: Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro / Festival Internacional de Cinema de São paulo / Independent Film Festival of Boston / London Film Festival / Prêmio César de Cinema Francês / Central Ohio Film Critics Association / Gent International Film Festival / Glasgow Film Festival / Hong Kong International Film Festival / Toronto International Film Festival / San Francisco International Film Festival


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sexta-feira, 13 de maio de 2011

Brancaleone nas Cruzadas



O bravio cavaleiro medieval Brancaleone, depois da primeira aventura, que você assistiu em " O Incrível exército de Brancaleone " retoma a sua saga do ponto onde interrompeu : partindo à procura da terra santa com o seu bando de seguidores fanáticos (destaque para o cristão auto-flagelador). Pelo caminho se juntam à trupe mais figuras inusitadas para viverem grotescas situações.




O exército de Brancaleone acaba encontrando o mesmo destino que muitos lunáticos que se lançaram nas cruzadas acharam: vagar sem rumo por uma Europa devastada pela peste e pelas guerras. Revisões históricas recentes sinalizam que dos muitos absurdos cometidos pelo homem, as cruzadas estão no top 10 sem dúvida, e nada melhor do que uma comédia italiana para brincar com os esteriótipos da Idade Média. Filmaço ! Ah, e assistir ao primeiro antes não é aconselhável, mas sim obrigatório !

Título original : Brancaleone alle crociate
Ano : 1970
Diretor : Mari Monicelli
País : Itália
Awards : San Sebastián International Film Festival

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Global Metal


Depois da primeira aventura do antropólogo metaleiro Scot McFadyen, o excelente Metal uma jornada headbanger, ele volta com esta segunda parte, analisando o impacto global da cultura metal, em locais de origens muito distintas da matriz anglo saxônica que a originou : Brasil, Israel, Japão, India, China, Indonesia e Oriente Médio. Scot se depara com lugares que são, de fato, Heavy Metal, e entende que, em parte, o metal é mesmo mais apropriado para servir de trilha sonora onde situações de miséria, alienação e aculturação são corriqueiras.




Desde o começo da mudança do eixo do metal para a periferia global, puxada pelo Sepultura há mais de vinte anos, até os primeiros espasmos do gênero no Oriente Médio, em pleno século XXI, o documentário vai agregando valores diversos na sopa, e no final das contas é um filme mais centrado no fenômeno da globalização do que no gênero musical em si , tarefa ultima , que aliás, já havia sido perfeitamente cumprida pelo primeiro filme. Um documento para se entender também um pouco melhor onde o mundo se encontra nesse momento.

Título original : Global Metal
Ano : 2008
Diretor : Scot McFadyen
País : Canadá
Awards : Possible Worlds Film Festival

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quarta-feira, 11 de maio de 2011

Le Voyage dans la Lune



Durante um congresso científico, o professor Barbenfouillis convida seus colegas cientistas a participarem de uma viagem exploradora na lua. Quando finalmente os desbravadores chegam ao seu destino, se surpreendem ao aprenderem que a lua já era habitada por selvagens. Esta é a (então) originalíssima estória desse marco do cinema, em um tempo em que a coisa toda era pura experimentação.




Em 1902, Georges Méliès dirigiu este filme antológico que conseguiu, de uma só vez, ser tudo isso : o primeiro longa metragem (tem cerca de quinze minutos , enquanto os outros filmes da época mal chegavam a dois),o primeiro filme surrealsita, o primeiro filme de fantasia pura (ao contrário das austeras cenas cotidianas feitas pelos irmãos Lumière), o primeiro filme de ficção científica, que é , com espanto , até hoje o protótipo do gênero: viagens interplanetárias, extraterrestres e viagem ao fundo do mar de quebra.




Méliès (que representa o professor Barbenfouillis) era, de fato um cara excêntrico. Estava ligado à espetáculos de mágica e teatro popular, e foi quem em grande parte, sugeriu que o cinema deveria ser sim, um pouco circense, algo que nos levasse à alguns momentos de escapada, e nada mais circense do que um bom blockbuster Hollywwodiano. Enfim, muita gente boa deveria beijar a mão do cara, inclusive Kubrick e Spielberg. Os Smashing Pumpkins já beijaram, no lindo videoclip de Tonight Tonight, e eu estou beijando, com esta postagem.





Para quem é amante do cinema e ainda não viu, não pode perder. É uma linda obra, emocionante, uma apoteose da Art Noveau , em forma e motivo. O retrato exato da euforia de um momento em que o mundo, impregnado de Julio Verne e H. G. Wells, depositava todas as sua esperanças nas maravilhas de uma jovem industrialização. E a promessa de continuar vivendo em uma Belle Époque parecia um sonho sem fim..




Título original : Le Voyage dans la Lune
Ano : 1902
Diretor : Georges Méliès
País : França
Awards : Zlín Student Film Festival / Athens Film Festival

terça-feira, 26 de abril de 2011

Eu andarei como um cavalo doido



Um rapaz com graves problemas edipianos foge para o deserto após a morte da mãe, e lá econtra Marvel, um nobre selvagem que se relaciona muito bem com a "mãe-terra" . Os dois tornam-se surpreendentemente inseparáveis , e junto com uma cabra , tornam-se companheiros de uma viajem repleta de símbologia psicanalítica.Taí um filme que gosto muito, uma raridade que não existe mais: o filme autoral . Neste caso feito pelo provocador e doidaço Fernando Arrabal (de Viva la Muerte) - que faz uma pontinha no final dando um beijinho na boca do selvagem . Filmes assim são uma raridade em uma época em que o cinema, mesmo o independente, tornou-se mais e mais corporativo.




Como todas as coisas que Arrabal fez, trata-se de um filme que em nada lembra um bombom hollywoodiano : é sujo , surreal, fragmentado e livre. Esse filme em especial , agradará em cheio os cinéfilos que também amam a teoria psicanalítica , pois o filme é repleto de simbolos mentais , e na verdade parece até um mapa freudiano. Estão lá , além do citado Complexo de Édipo (lugar comum de todos os filmes de Arrabal), o horror da castração e a fixação no falo , a polícia como figura paterna, a dádiva das fezes , o canibalismo como expressão de amor, e tantos outros. Todos os elementos mentais são simplesmente filmados como atos reais, o que dá ao filme a cara de um longo sonho edipiano. Assista e faça a sua leitura .. Filmaço !




Título original : J'irai comme un cheval fou
Ano : 1973
Diretor : Fernando Arrabal
País : França
Awards : nenhum

DVD

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