sábado, 2 de abril de 2011

A Montanha Sagrada


Um mendigo errante , com jeitão de Jesus Cristo vagueia por uma terra má e hostil , até que se depara com um alquimista iluminado , que o une a mais seis figuras ricas e proeminentes da terra , todos extraterrestres - cada qual representando um planeta do sistema solar , e os guia por uma jornada mística rumo à tão desejada imortalidade. Essa estranha resenha de fato é testemunha de que a narrativa não é mesmo o forte deste filme , mas sim sua coletânea de imagens épicas , ultrajantes , fascinantes , ou simplesmente Kitsch mesmo , no sentido de esteticamente exagerado , como um desfile de escola de samba.



Projeto mais ambicioso (e pretencioso) do doidão Alejandro Jodorowski , pode ser considerado como uma espécie de apoteose pessoal à contracultura , levada mais longe ainda que El Topo , cujo resultado é um documento vívido da confusão mental de uma era . Antes de começar a produção, e bem ao espírito da época, Jodorowski viveu um tempo em comunidade com todo o elenco e produção , e iniciou-se como "mago" com o guru boliviano (e por sua vez também doidão) Oscar Ichazo, que lhe encorajou a tomar doses cavalares de LSD como parte de sua "protoanálise" (SIC) . O resultado ficou evidente no filme , uma enorme, desconexa, onírica viagem de ácido.



A primeira parte do filme , que se dirige ao cristianismo e à sociedade católica ocidental é mais clara e contém algumas referências interessantes aos evangelhos : a multiplicação dos pães , os 12 apóstolos (as 11 putas e o macaquinho chucho-chucho) , a comunhão e a ascenção . Nesse segmento há uma boa re encenação da conquista do México onde sapos e lagartos são os atores em cena. Progressivamente o filme vai se tornando mais e mais desconexo , com referências à Tarot , Cabala , Alquimia , Astrologia e a inevitável ladainha hippie de "renascimento espiritual" , seja lá o que isso signifique.



Sem abrir mão de sua pegada escatológica , nem do uso extenso de deficientes físicos e animais de circo , o filme é puro Jodorowski . Diz a lenda que George Harrison ofereceu-se para o papel principal do Cristo/Ladrão , mas ao saber das inúmeras cenas de nudez , especialmente a da lavagem do ânus , pulou fora na hora. Foi um dos filmes mais caros já feitos no México até então , e mesmo assim custou bem menos de um milhão de dólares , o que em termos Hollywoodianos não passa de um Taco com guacamole para o tamanho da coisa toda: uma gigante alegoria lisérgica . Vai encarar ? ...



Título original : The Holy Mountain
Ano : 1973
Diretor : Alejandro Jodorowski
País : México / USA
Awards : Cannes / France L'Étrange Festival / Polish Latin America Film Festival

DVD

...

3 comentários:

  1. Assisti ontem, ótimo!

    Infinitas interpretações, o filme faz diversas críticas a religiosidade, materialismo, arte, política... enfim essas crtíticas alcançam diversos níveis. Bastante simbólico, bastante alegórico.

    Vale a pena ser assistido!

    Mateus André

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  2. Eu pensei em assistir o filme, mas parece ser um tanto forte!

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  3. OLA MEU CARO ,,,,
    ESSE FILME VALE REALMENTE A PENA SER VISTO POR TODOS OS CINEFILOS PARANOICOS DE PLANTAO RSRS
    ENTAO É UMA BELA OBRA DE GRANDE E DIVERSA PLURIDADE CULTURAL E ESPIRITUAL PASSANDO POR DIVERSAS AREAS EM NOSSAS POBRES MENTES INSANAS
    TA DE PARABENS CADA VEZ MAIS O BLOG UM ABRAÇO..

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