sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Mister Lonely







Este é um estranhíssimo e agridoce filme de teor existencialista. Uma alegoria que usa de ternura e fantasia para tratar de temas sombrios e desagradáveis (solidão, loucura, inadequação, velhice, morte) através de duas histórias independentes, narradas em paralelo. Na primeira, um jovem imitador de Michael Jackson (a escolha não foi por acaso), solitário e patético, vai viver em uma comunidade onde todos os habitantes, assim como ele próprio, também anularam a própria personalidade em favor de algum personagem.





Na segunda história um grupo de freiras em missão nas selvas do Panamá colocam a própria fé à prova quando descobrem que são capazes de voar (referência pop imediata: A noviça Voadora, e claro Flying Padre, de Kubrick!). Chama atenção aqui a presença de ninguém menos que o grande cineasta alemão Werner Herzog, apenas atuando, no papel do padre da missão. Só isso já valeria o filme, mas a dinâmica da narrativa, que vai do doce ao tenebroso, agrada. Uma excelente reflexão, polissêmica, em torno do tema da apropriação, tanto na forma do filme, quanto no seu fundo.





Titulo Original : Mister Lonely
Diretor : Harmony Korine
Ano : 2007
País : França / USA / Irlanda / UK
Awards : Cannes / London Festival / Tribeca Festival / Toronto Festival 

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Jesus Camp







Os americanos morrem de medo daquilo que os fundamentalistas religiosos de outros países podem fazer contra eles , mas é no próprio coração da américa que a religiosidade se funde a loucura e insensatez .




Esse fenomenal documentário está sem duvida entre os 5 melhores filmes que assisti esse ano ! É uma assustadora jornada pelo reduto neopetencostal americano , mostrando que a religião pode sim ser um veneno , e que a fé pode remover muito mais que montanhas : mas os próprios neurônios dos seres humanos que a tem.



Um filme imperdível que com certeza leva a reflexões profundas por parte daqueles  que tem fé ou dos que já deixaram de ter. Um desfile de tipos excêntricos , repelentes e revoltantes, saídos direto de um lugar muito estranho : a América do cinturão da Bíblia. Imperdível..


Titulo Original : Jesus Camp
Diretor : Heidi Ewing, Rachel Grady
Ano : 2006
País : USA
Awards : Tribeca Film Festival / Silverdocs Documentary Festival / Satellite Awards / Online Film Critics Society Awards / Oscar (indicação) / CFCA Award

sábado, 17 de setembro de 2011

Entre Deus e o Pecado


Elmer é um sujeito espertalhão, dotado de uma lábia afiada por anos de prática como vendedor itinerante de quinquilharias que costuma empurrar com facilidade para cima de seus pobres fregueses. Tais qualidades duvidosas conferem a Elmer as habilidades necessárias como uma luva para seu novo emprego dos sonhos: tornar-se um pastor evangélico, o que acaba fazendo ao associar-se à irmã Sharon Falconer, uma evangelista itinerante que roda o país à procura de novos crentes que sejam também pagadores de dízimos e ofertas.




Eis aqui um filme brilhante, do tipo que não existe mais, profundamente corajoso e atual com seus 50 anos de existência. Na época em que foi rodado, a Metro só topou produzi-lo depois de um período de mais de vinte anos em que o roteiro foi repetidamente rejeitado por onde circulou: ninguém queria mexer com um assunto tão delicado. Ainda hoje a América é um país temente a Deus, mas há meio século a coisa era ainda mais forte. Assim, o diretor Richard Brooks fez um excelente trabalho de direção, deixou clara a sua posição quanto religião e fé (seu alter Ego é claramente o jornalista Jim Lefferts), porém sem ofender as crenças de ninguém. Além disso Shirley Jones e Jean Simmons estão lindas... Um filmaço !

Título Original: Elmer Gantry
Diretor: Richard Brooks
Ano: 1960
País: USA
Awards: BAFTA Film Award / Golden Globe / Golden Laurel / NYFCC Award


DVD

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sábado, 10 de setembro de 2011

Domingo Maldito



Seminal filme britânico que retrata um triângulo amoroso entre três sujeitos de classe média: Alex, uma mulher divorciada e psicologicamente tumultuada, compartilha seu jovem e belo amante Bob, um artista bissexual, com o austero médico judeu Daniel Hirsch. Basicamente é uma história de amor tóxico, tantalizante, daquelas que fazem mal para todos os envolvidos. Hoje em dia filmes abertamente gays são comuns, mas na época ainda era algo considerado inovador. O fato é que 40 anos depois o filme é mais inovador do que a maioria das coisas lançadas hoje em dia.



A diferença aqui é o toque de classe de John Schlesinger, que dirigiu o filme brilhantemente, situando-o muito bem em seu momento de transição entre a swinging London Hippie e roqueira, e a Inglaterra sombria e em crise que iria persistir na década seguinte. Está tudo lá.  Optando por fazer um filme climático, um estudo de caráter e sentimentos, o falecido Schlesinger acabou criando um dos filmes adultos mais célebres do circuito de cinema de arte, que é bem raro inclusive (Não confunda com o homônimo de 2002, e nem com a canção do U2 ...)

Título Original: Sunday Bloody Sunday
Ano: 1971
Diretor: John Schlesinger
País: UK
Awards: Brno Gay and Lesbian Film Festival / BAFTA Film Award / London Lesbian and Gay Film Festival / Venice Film Festival / David di Donatello Awards / Directors Guild of America / Globo de Ouro / National Society of Film Critics Awards / New York Film Critics Circle Awards / Writers Guild of Great Britain Award
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