sábado, 1 de outubro de 2011

A Última Noite de Bóris Grushenko


Na Russia imperial, Bóris é um sujeito covarde, neurótico e filosófico, que acaba intimado a lutar por sua pátria quando as tropas francesas invadem, sob o domínio de Napoleão. Perdido na situação, acaba por se envolver em uma divertida intriga internacional. Sem meias palavras: trata-se da obra prima de Woody Allen. Woody, como você bem sabe, é Deus, simples assim, e por conta desta verdade incontestável nunca pensei em postar nada neste humilde blog, uma vez que o cara é uma das poucas unanimidades entre os cinéfilos, e todo mundo que ama cinema conhece sua obra de trás para frente. Porém, revendo este filmaço, me dei conta que ele é um dos menos lembrados do cara, e muitos ainda não estão iniciados em seu culto. Sendo assim ...



Parece injusto com todo o resto de sua filmografia nomear esta obra como o ponto máximo de sua criação, mas foi nele que Allen melhor reuniu seus elementos, influências e marcas. Seu gênio enfim. Ele próprio já falou algumas vezes que este é seu filme predileto, mesmo sendo um dos menos amados por seus fãs. Como Bóris, o seu habitual alter-Ego neurótico e filosófico está mais escroto do que jamais esteve ! Bóris poderia ser definido como se Didi Mocó, no auge de sua forma cômica, fosse um personagem de Fiodór Dostoievsky, existencialista e atormentado. Além disso há sua visão afetuosa e fantástica da Rússia Czarista, sobre sexo e depravação, seu culto à filosofia, seu ateísmo, e aí por diante. Como se não bastasse a indefectível Diane Keaton está absolutamente linda em todo seu frescor juvenil.



Um filme autoral é algo que está virtual e tristemente extinto hoje em dia. Mas Allen não conhece cinema de outra forma, e colocou nele óbvias referências à seu mestre Bergman: a personificação da morte do clássico "O Sétimo selo" (só que aqui vestida de branco), assim como refez em paródia a cena do trigo de "Persona". Além disso cita nominalmente "Os irmãos Karamazov" de Dostoievsky, assim como há referências mais ou menos diretas de "O Retorno do Idiota", do mesmo autor. Fique atento, porque há diversos presentinhos aqui e ali, em meio de suas tiradas surreais ou simplesmente panacas mesmo, do tipo sorvete na testa.




Adoro os filmes de Allen ambientados na New York classe média, que é afinal seu meio natural e marca registrada, mas acho que a qualidade vai nas alturas quando se aventura fora de seu mundo. Aqui chama a atenção a qualidade da fotografia, como uma resposta aos críticos que assumem Allen como um cara fraco de técnica. Bullshit ! Essa postagem é também uma homenagem à esse cineasta completo (escreve, produz, dirige e atua) que é um dos grandes mestres. E ele já está velhinho, e me provoca arrepios a idéia de vivermos em um mundo sem Woody Allen, afinal o cara esnobou a academia e sobreviveu para contar. Oh ! A humanidade ! ...

Título Original: Love and Death
Ano: 1975
Diretor: Woody Allen
País: França / USA
Awards: Berlin International Film Festival


DVD

...

Um comentário:

  1. EAE LORD

    MAIS UMA VEZ VENHO AGRADECER E PARABENIZAR PELAS ATUALIZACOES , VENHO TE DIZER QUE TAMBEM COMPARTILHO PELO TORRENT NESSE VASTO UNIVERSO DA TELINHA UM ABRAÇO

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