segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Anonyma



Filme alemão que conta a história de uma mulher anônima, uma jornalista berlinense bonita e culta que testemunha a humilhação final do terceiro reich em 1945, quando os soldados de Stalin marcharam sobre sua capital. Mas os homens do exército soviético, na maioria rudes cosacos, mongóis e camponeses ucrânianos, desejam mais do que a glória militar: eles querem como troféu, experimentar os encantos de uma bela mulher germânica, e Nina torna-se uma vítima certa. Filme baseado no livro "Eine frau in Berlin", que finalmente quebrava o silêncio que pairou por anos em torno da onda de estupros que varreu Berlim nos primeiros tempos da ocupação soviética. Trata-se de uma ferida profunda na história alemã, e um terrível golpe no orgulho germânico. Relatos históricos testemunham que, de fato, uma enorme proporção de mulheres alemãs, desde adolescentes até idosas, foram estupradas não apenas por um ou dois soldados, mas té por mais de vinte deles em seguida. 




O filme não explora apenas os estupros, mas coloca em sub texto uma excelente reflexão sobre aquilo que faz o tema segunda guerra ser assim tão fascinante: como pôde a Alemanha, um país rico, culto e democrático, abandonar seus valores civilizados em tão pouco tempo, e criar uma guerra de pilhagem, racismo e genocídio sem paralelos na história da humanidade ? O filme mostra com precisão o buraco profundo no qual o país se meteu após o final do conflito, quando seu próprio povo foi exposto à barbárie que antes perpetuou. É um belo retrato do chamado "ano zero" da história alemã, do doloroso e necessário marco inicial para o país, mais de quarenta anos depois disso, finalmente emergir como a bela Alemanha que temos hoje: um país de paz, prosperidade, beleza e tolerância, e que sobretudo, como bem demonstra esta obra, não tem medo de remexer o próprio passado a fim de se evitarem os mesmos erros no futuro.




Título Original: Anonyma - Eine Frau in Berlin
Ano: 2008
Diretor: Max Farberbock
País: Alemanha / Polônia
Awards: Festival de Berlim / Toronto International Film Festival / Seattle International Film Festival / Keswick Film Festival / Santa Barbara International Film Festival / German Film Awards


                        

sábado, 10 de dezembro de 2011

Videodrome


Max é um oportunista executivo de um pequeno canal adulto canadense, que se interessa em veicular para seu público o sinal de uma misteriosa transmissão captada pela antena da emissora, cuja origem é desconhecida, e apresenta fortes cenas de violência sexual e tortura. Mas ele não desconfia que existe algo muito maior na origem daquilo . Videodrome é a visão profética de Cronenberg sobre a manipulação da mídia sobre as massas (através de shows de realidade - "Televisão é realidade e a realidade é menos que a televisão"), e das relações "carnais" entre homem e tecnologia, tudo, obviamente, narrado dentro de seu estilo escatológico e pessoal, com direito a vaginas estomacais inclusive..



Videodrome não é o seu melhor trabalho: o fato é que, e fica muito claro ao assistí-lo, o filme foi lançado sem ter sido terminado da maneira como foi originalmente concebido por David Cronenberg, o que não aconteceu por problemas pessoais do elenco e dificuldade em realizar certas sequências numa época em que tudo ainda era analógico. Foi lançado assim mesmo. Talvez este revés acabasse por envolver mais a obra em sua aura cult. Mas é um bom filme, um pouco caótico é verdade, mas de muita personalidade, e que, ainda, conta com a nossa amada Debbie Harry, linda, linda, linda. Fiquei um tempão sem assisti-lo, mas foi um feliz reencontro..



Título Original: Videodrome
Ano: 1983
Diretor: David Cronenberg
País: Canadá
Awards: Brussels International Festival of Fantasy Films / Fantafestival Itália / International Film Festival Rotterdam / CSC Award / Genie Awards

DVD
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