sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Deux De La Vague



Espetacular documentário realizado em meio as comemorações dos 50 anos de surgimento "oficial" da Nouvelle Vague, uma radical revolução de forma e estética que varreu o cinema francês e exerceu uma influência tão profunda que pode ser considerada mais do que um movimento de contestação, mas sim uma espécie de renascimento do próprio cinema. O foco central do filme se situa sobre os dois cineastas que se tornaram, com justiça, associados à cena: François Truffaut e Jean-Luc Godard.



Em uma entrevista do filme, Godard declara, sempre com seu ar cool, que "Era preciso demolir as falsas lendas do cinema francês para que este renascesse ... ". Ambos cineastas intuitivos, aventureiros, iniciaram-se no cinema como editores do importante periódico Cahiers du cinema, e acabaram por dar forma eles mesmos à urgente renovação cinematográfica que pregavam em seus, hoje antológicos, ensaios e críticas no Cahiers. Rapidamente a onda engoliu toda uma geração de novos e talentoso cineastas, cujo legado é grandioso.




O documentário cobre desde o período do Cahiers, passando pela produção dos primeiros curtas e longas; o impacto chocante causado pelos novos planos, diálogos, e forma de editar dos filmes propostos por ambos; até a amarga crise de público e interesse que esta nova linguagem do cinema atravessou, culminada pela ruptura ideológica entre os dois amigos: Truffaut tornou-se um renovador do cinema clássico, e Godard preferiu manter seu status de enfant terrible. Mas era tarde: a peste já havia sido maravilhosamente disseminada. Um lindo filme este para entender melhor o cinema ...


Título Original: Deux de la Vague
Ano: 2010
Diretor: Emmanuel Laurent
País: França
Awards: International Film Festival Rotterdam / Berlin International Film Festival / Hong Kong International Film Festival / Visions du Réel Film Festival / Edinburgh Film Festival / ERA New Horizons Film Festival / Mannheim-Heidelberg International Filmfestival / Arras Film Festival / Stockholm International Film Festival

DVD

sábado, 14 de janeiro de 2012

Vase de Noces (a.k.a The Pig Fucking Movie)



Um jovem vive isolado em sua fazenda cuidando de seus afazeres quando apaixona-se perdidamente por uma leitoa. Casa-se com ela, e a união do casal gera filhotes híbridos, aos quais o fazendeiro cuida com o maior esmero, e tenta educá-los à maneira humana. Mas seus planos não são bem sucedidos, o que faz que suas pulsões de morte sejam afloradas, numa sequência de eventos sombrios e repelentes.



Um dos filmes mais bizarros (senão o mais) jamais produzido, totalmente hermético e que não contém qualquer diálogo. Um devaneio esquizóide só acessível aos apreciadores de cinema art house, e embora seja difícil qualquer tipo de abordagem ou leitura desta obra, senão a constatação do caos e da loucura, há algum traço de indefinível ternura em meio à tantas aberrações.



Esse filme conseguiu a proeza de ser banido da Australia na época do seu lançamento, país célebre por seu liberalismo (embora depois tenha sido liberado), e ao longo dos anos vêm conquistando maior respeito e visibilidade dos fãs de cinema marginal, que se aventuram nesta breve jornada de bestialismo, coprofagia e insanidade. Assista por sua conta e risco.


                                     






Título Original: Vase de Noces (a.k.a The Pig Fucking Movie)
Ano: 1975
Diretor: Thierry Zéno
País: Bélgica
Awards: Perth International Film Festival / New York New Directors and New Films Festival / Chicago International Film Festival / Karlovy Vary Film Festival / Bradford Film Festival / Locarno International Film Festival

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Meu amigo Rachid


Esse corajoso curta metragem conta a estória de Eric, um menino francês e seu singular fascínio e amizade com Rachid, um imigrante magreb vivendo na França. Mas o pai de Erik é um sujeito racista e preconceituoso, o que traz sentimentos conflitantes ao menino .



Esse é um filme que ao assistir você se pergunta de que planeta ele veio afinal ! O diretor francês Philippe Barassat teve coragem para dirigir este curta metragem tão controverso e com tamanha sensibilidade, que aborda o fascínio psicanalítico em torno do falo e todo seu simbolismo .



Explorando o contexto também com uma boa lição de tolerância, compreensão e ataque à diversos conceitos enraizados sobre raça, sexualidade humana e religião, é um filme de tirar o fôlego, que fez bonito em vários festivais de cinema , e deve agradar aos interessados em psicanálise e inconsciente humano, pois dá margens à muitos vértices interessantes.

Título original : Mon copain Rachid
Ano : 1997
Diretor : Philippe Barassat
País : França
Awards : Festival de diversidade Sexual Mix Brasil / San Francisco International Lesbian and Gay Film Festival / Ottawa Queer Film and Video Festival / Rochester ImageOut Lesbian and Gay Film and Video Festival

Kids



Filme independente e de baixo orçamento que provocou enorme controvérsia ao mostrar o cotidiano, mais ou menos factível, de um grupo de adolescentes novaiorquinos, sobretudo Telly, um menino cujo objetivo máximo de vida é deflorar quantas adolescentes fosse capaz. Este interessante filme acabou tornando-se o hype supremo de seus dias, após impressionar o jurado do festival independente de cinema Sundance. Por vias equivocadas, terminou sendo entendido (e vendido) como um "alerta" aos pais naqueles tempos de "Aids e drogas", mas não enxergo como moralizante o objetivo final de Larry Clark e muito menos do produtor Gus Van Sant.


Maniqueismos à parte o filme de fato representou uma renovação estilística, com ares documentais (como estética é a cara dos anos 90), dinâmica simples, elenco desconhecido (garotos comuns da rua), que acabou se tornando padrão para o gênero. Na época parecia muito mais perturbador e violento do que hoje, mas ainda é um filme poderoso e doentio, mostrando à sua maneira que as crianças crescem mesmo rápido, e de acordo com aquilo que o habitat oferece.



Kids trata de tédio, alienação, degradação urbana, crise cultural, perda de identidade adolescente e fuga. Dentro da lógica neo realista do filme, não parece estranho que o ator Justin Pierce (Casper), tenha enforcado-se cinco anos depois em um hotel de Las Vegas. Um dos grandes filmes dos anos 90, cru e incompreendido, com trilha sonora de Lou Barlou (ex, e novamente Dinosaur Jr., mas aqui como Folk Implosion e Sebadoh), para ser apreciado como estudo de comportamento. Ah, e em Portugal o filme se chama "Miúdos", excelente ...


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Título Original: Kids
Ano: 1995
Diretor: Larry Clark
País: USA
Awards : Cannes / Sundance / Independent Spirit Award

DVD
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