terça-feira, 19 de março de 2013

Depois eu conto





Zé da Bomba é um mecânico picareta vivendo uma vida dupla: durante o dia trabalha numa oficina no subúrbio, e de noite, rouba o carrão do patrão, e na "longínqua" zona sul pousa de galã gente-fina, passando-se por um empresário paulista, em um clube frequentado pela fina flor da sociedade carioca. Para ser vitorioso em seu projeto de alpinismo social, conta com a ajuda de um amigo de infância de origem igualmente suburbana, mas que agora é conhecido como René Doré, um colunista social que escreve sobre o quem é quem na noite do Rio. Como a cidade não é tão grande quanto Zé da Bomba imaginava, seu segredo acaba descoberto.




Espetacular filme nacional que é uma coletânea de disparates politicamente incorretos em série, tão impagáveis e divertidos que deixará você certamente de cabelo em pé. Embora seja uma comédia levinha  "de costumes", como se dizia na época, só nos resta embasbacar-se frente aos tais costumes: um desfile de esteriótipos, preconceitos, racismo, mau caratismo, e o reforço de um sistema de classes fajuto e colonial. Certamente foi esta a ideia do diretor Carlos Burle : fazer do filme um espelho caricatural da classe média de então, de maneira que esta, ao apreciar-se na tela, talvez se envergonhasse de seus hábitos tão decadentes. Tenho lá minhas dúvidas se estas pessoas eram capazes de entender esta sutileza (muitas ainda não o são hoje !).




É um filmaço. Anselmo Duarte no auge, e na companhia de um elenco excepcional, que contava ainda com Dercy Gonçalves, Grande Otelo, Zé Trindade, entre outros, além de números musicais de Jamelão e do célebre Ivon Cury, que sem saber, participava aqui do primeiro vídeo-clip da história. Um filme clássico, de uma época pré televisão (não por acaso o filme é protótipo das telenovelas), do tempo que o cinema brasileiro bebia direto da fonte americana, (que por sua vez vivia um período igualmente romântico), e tinha pretensões de ser uma filial de Hollywood ao sul do Equador. Ha !, e "depois te conto" era o mote de Ibrahim Sued (Réné Doré ?), aquele das "cocadinhas", que anunciava as festas de sociedade em sua coluna, e depois largava este petardo ! lol !!

Título Original: Depois eu conto
Ano: 1956
Diretor: José Carlos Burle, Watson Macedo
País: Brasil
Awards : Nenhum

2 comentários:

  1. Lord vader,É difícil expressar a minha imensa gratidão pelo seu blog.Ele é ,sem duvida alguma,uma obra prima,um tesouro.Muito obrigado por dividir suas opiniões,descrições sobre essa indispensável arte de escrever em luz

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  2. Prezado anônimo,

    Muito obrigado por suas gentis palavras. É mesmo uma honra para mim saber que escrevi algo que seja relevante para você. Saudações, e apareça sempre

    [ ]s Vader

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