segunda-feira, 27 de maio de 2013

Deconstruíndo Harry






Harry é um bem sucedido escritor que atravessa uma perturbadora fase de bloqueio criativo, e está prestes a receber uma homenagem da universidade que o expulsou na época de aluno. No processo, Harry mergulha em suas memórias pessoais misturadas ao de seus escritos e personagens fictícios (que são em ultima análise projeções de si mesmo, de seus desafetos, ou mesmo de suas facetas neuróticas) que o colocarão em situações tão inusitadas quanto estar frente à frente com o capeta em pessoa. (O inferno é igual ao inferno do Mojica !)




Excepcional criação do gênio judeu, que é constantemente um filme esquecido ou menosprezado em meio à fartura de clássicos de sua prolífica filmografia. Um filme tão pessoal, uma obra prima, embora este título caiba à muitos dos seus filmes. Allen admite abertamente seus pecados e fraquezas de forma admirável, ("Sua vida é nihilismo, cinismo, sarcasmo and orgasmo"). Allen é Harry e ponto final. Ou melhor, Harry é o Id de Allen, seu animal sem freios, a persoificação de seus anseios mais primitivos e básicos, aqui assumidos em praça pública. Sua paixão e ódio pelas teorias psicanalíticas, suas taras, sua visão de mundo mais vulgar, seu desprezo pelas religiões, sua obsessão existêncialista. Está tudo lá.





Não parece por acaso que depois da catarse de "Harry" o cinema de Allen tenha se transformado nesta ultima década em um cinema de "realizador", com seu neurótico alter-ego colocado de lado em favor de privilegiar referências à obras clássicas e belos contos cinematográficos, como "Vicky Cristina" e "Meia noite em Paris". Allen é Deus, pouco importa se como "Woody" Allen, o neurótico, ou como Allan Stewart Konigsberg, o realizador.


                                        


Título Original: Deconstructing Harry
Ano: 1997
Diretor: Woody Allen
País: USA
Awards: European Film Awards / Satellite Awards / Oscar / Turia Awards / Grande Prêmio Brasil de Cinema


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