sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Marley


                               


Não, não é o filme do cachorrinho, mas sim o documentário-biografia realizado pelo diretor escocês Kevin McDonald (de "O ultimo rei da Escócia") sobre a vida do mitológico Bob Marley. O filme tem a virtude de retratar Bob unicamente através de depoimentos de pessoas que foram testemunhas oculares de tudo que é dito, pois estiveram de fato presentes ao seu lado por toda sua vida. Rita Marley (a viúva "oficial"), Bunny Wailer, o doidaço Lee Perry e Cindy Breakspeare, sua mais notória amante (e com quem teve um de seus 11 filhos), entre outros, testemunham a realmente cinematográfica trajetória do homem, desde seu nascimento na mais absoluta miséria, até sua precoce morte e legado, como uma espécie de profeta místico do século 20.


                       
               


Exceto pela metafísica rastafari, sempre amei o reggae, mais por suas extraordinárias virtudes musicais do que pela sua confusa pregação religiosa. Desde quando eu era criança ainda, e havia uma pixação no muro da minha escola que me intrigava: Bob Marley (1945-1981), até passar 8 meses como baterista em uma banda de reggae, ele sempre esteve lá. O elegante minimalismo, o conceito simples, o fato de estar intimamente ligado à cultura Punk (vide The Clash, Rancid, etc), o fato de existir o Dub, tudo isso sempre me atraiu ao reggae como um íma, e comparado-se aos subgêneros do estilo desde então, a impressão que fica é que Bob é a evolução do reggae, e não o contrário. Ele é o reggae e ponto final. Somado a seu carisma e apelo universais, não é de se admirar que o homem tenha se tornado uma deidade. Por causa dele o reggae parece ser uma espécie de denominador comum e catalisador de diferenças musicais, um porto que congrega adoradores tão distintos quanto rastas, hippies, punks, rockers, clubbers, rappers, hipsters, e todos os skinheads que fizeram do reggae um verdadeiro estilo de vida. 


Como documentário o filme é magnífico, detalhando também sua doença, seu exílio terapêutico na Alemanha (numa surreal situação de Jamaica abaixo de zero), a primeira fase dos Wailers (então uma inusitada boy-band de Trenchtown, e que reunia nada menos que a santíssima trindade do Reggae: Bob, Bunny Wailer e o também eterno Peter Tosh); seu intenso envolvimento politico na Africa, seu funeral. Por outro lado o filme é bastante superficial à respeito do papel crucial da gravadora britânica Island (e do produtor Chris Blackwell, que soube literalmente forjar o som da banda ao adaptá-los ao paladar pop-rock ocidental com o album "Catch a fire". Essa reinvenção foi de fato o começo de tudo em termos de estrelato, e sem ela certamente o gênio do cara teria permanecido na pequena Jamaica e ninguém mais tocaria no assunto. (n.do r.: para mais detalhes assista ao documentário "Classic albuns - Catch a fire")
Outro fato notório que o filme não aborda, é que Marley sabia da gravidade de sua doença desde o início, mas ignorou qualquer tratamento mais profundo pois acreditava que Jah iria curá-lo.  Enfim, para fãs, adoradores ou haters : um filmaço.

(Obs: Embora não creditado, foi Martin Scorsese quem primeiro tocou o projeto, mas precisou deixá-lo por questões de agenda)


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Título original: Marley
Ano: 2012
Diretor: Kevin Mc Donald
País: UK / USA
Awards: British Independent Film Awards / BAFTA Film Award / Black Reel Awards / Evening Standard British Film Awards / Image Awards / Washington DC Filmfest

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