sábado, 9 de novembro de 2013

Ascensor para o Cadafalso





Florence, uma linda mulher casada com um rico e poderoso industrial, planeja assassinar o esposo com a ajuda do amante, que é ninguém menos do que o homem de confiança de seu marido. Porém, um inesperado contratempo pode colocar em risco o que parecia ser um crime perfeito.
Imponente e admirável estréia cinematográfica de Louis Malle (de Au revoir les enfants), um dos pilares da nouvelle vague. Na verdade sua estréia havia acontecido anos antes com o documentário O mundo do silêncio, que mostrava o poético universo aquático do comandante Jacques Cousteau, algo completamente novo na época. Sendo assim, sua estréia em ficção foi mesmo com Ascensor para o cadafalso, em grande estilo, criando um clássico imediato, um tenso filme de suspense ao mesmo tempo cheio de classe e de inovações estéticas.





Porque Louis Malle era, antes de tudo, um esteta. Oriundo de uma família de classe alta, era um sujeito culto e provocador, sobretudo com relação às imposturas burguesas, que conhecia tão bem em virtude de suas origens. Ao contrário de muitos de seus análogos da nouvelle vague, Malle tinha uma vida privilegiada, cursou escola de cinema, e dominava a técnica muito bem. Por isso, seria repetidamente rejeitado pelos outros diretores do movimento, por conta de seu estilo considerado excessivamente proverbial por eles. Enquanto Malle sentia-se à vontade com o cinema clássico, todos os outros se julgavam em uma espécie de cruzada de honra cujo axioma era reinventar a linguagem cinematográfica a todo custo.



Tamanha reverência aparece muito claramente em Ascensor para o cadafalso, cuja trama de ironia fatalista segue de maneira obediente, quase ritual, a formula do cinema noir americano, gênero então idolatrado pela geração da nouvelle vague, em virtude de seu aspecto naturalmente soturno e estiloso, mas também estranhamento belo. Mas Malle tinha apenas 24 anos quando realizou este filmaço, e projetou também, de uma maneira inovadora para o momento, as aspirações de sua geração num segundo casal de jovens namorados, que dão corpo à um subtrama do filme, mas que acaba por se ligar finalmente à trama original.







Malle fez questão de fotografar a linda Jeanne Moreau de maneira completamente natural, sem maquiagem alguma ou qualquer luz artificial, de forma à captar em seu rosto todo o desalento de sua personagem, uma mulher perdida em uma névoa de paixão e desespero. E deu certo, pois foi depois deste filme que Moreau conquistou o status de deusa que a imortalizou. A trilha sonora é um caso à parte. Fascinado pela melancolia evocada pelas poucas, longas e tristes notas do cool jazz, Malle convocou ninguém menos que Miles Davis, então um promissor nome do gênero, para gravar a trilha sonora em tempo real, ou seja, enquanto assistia ao filme já finalizado, dentro de um estúdio cheio de champagne com alta rotação. O resultado foi fantástico: a música é como um personagem, e a trilha ganhou vida própria, sendo até hoje editada como um dos maiores clássicos do jazz já realizado. Um filme magnífico, cheio de classe.





Título Original: Ascenseur pour l'echafaud
Ano: 1958
Diretor: Louis Malle
País: França
Awards: Prêmio Louis Delluc de cinema

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