quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Desperate Living






Uma esnobe dona de casa com problemas mentais discute violentamente com o seu esposo, e no calor da disputa sua empregada doméstica morbidamente obesa o mata, sufocando-o com a sua enorme bunda. Perseguidas pela polícia as duas se refugiam em uma favela, espécie de terra do nunca, e refugo de marginais, nudistas e pervertidos sexuais. O lugar é governardo por uma rainha banguela, tirânica e ninfomaníaca. 






Nada disso é estranho no universo de repulsa, choque e imundície do mestre John Waters, o rei do vômito e do pop grotesco, que realizou nada menos do que a obra prima Pink Flamingos. John nunca pegou leve ao atacar os valores da sociedade americana, e Desperate living não fica atrás. Foi o único filme de Waters a não contar com a participação de sua musa, o travesti Divine, e que se passa inteiramente em um mundo imaginário. Uma espécie de conto de fadas lésbico, insano e nojento. Diversão assegurada para toda a família !


                                           


Título Original: Desperate Living
Ano: 1977
Diretor: John Waters
País: USA
Awards: Nenhum

O Estranho mundo de Zé do Caixão





"Não se dê ao trabalho de pensar o que somos, porque a conclusão final seria loucura, o final de tudo para o início do nada". Esse é o mote do genial trabalho de um dos meus heróis pessoais, José Mojica Marins. Uma obra prodigiosa, piramidal e aberrante. Para se ter uma idéia de seu poder de fogo, após esse filme Mojica passou a ser considerado oficialmente um doente mental para o então despótico departamento de censura federal, que naquele momento tinha o poder arbitrário de escolher o que as pessoas podiam ou não assistir.  Mojica desfila três curta metragens de enredos independentes entre si, porém interligados pelo conceito do primitivismo inerente ao homem: o Id, a camada mais profunda do inconsciente humano, como teorizado por Freud, e origem de atos de natureza bestial e torpe, onde o infame e o abjeto se misturam ao prazer narcísico que desconhece qualquer conceito limitador de civilização. Mojica nos conduz gradualmente, episódio a episódio, numa viagem descendente em direção à barbárie e à desumanização completa do episódio "Ideologia". Nada mais resta senão o instindo reptiliano. O filme apresenta a figura do professor "Oaxiac odez", óbvia inversão de Zé do caixão, que como o mito de satanás, é a própria personificação da sombra humana, de todo desejo que é negado pela noção moral e civilizatória e por conseguinte delegado, através de projeções, à responsabilidade de um outro. E a sequência final da santa ceia é uma das coisas mais lindas que já assisti na vida, porque é provocativa em muitos sentidos, sobretudo no aspecto canibal por trás da idéia de se comer o corpo de Cristo. Um filme sagrado.






Título Original: O estranho mundo de Zé do Caixão
Ano: 1967
País: Brasil
Diretor: José Mojica Marins
Awards: Nenhum

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Ladrões de Bicicleta





Na penúria da Itália dos primeiros anos do pós guerra, um desempregado, Antonio, finalmente consegue um emprego, mas sob a condição de comprar uma bicicleta, ferramenta esta necessária ao trabalho de colador de cartazes. Escadrinhando cada centavo disponível a família por fim consegue adquiri-la, porém no primeiro dia de trabalho de Antônio seu precioso bem é roubado. O homem se mete então, na companhia de seu filho, pelos mais sórdidos, abjetos e miseráveis lugares de uma horrível cidade, na tentativa de localizar sua bicicleta.





Este magnífico filme é o ícone maior do neorrealismo italiano, movimento amparado estéticamente no estado de espírito da Itália pós Mussolini: pobreza, constrangimento, injustiça e desespero. O neorealismo tornou-se célebre, por ser ele mesmo, um simbolo sublime de mudança social e progresso cultural em um país que se reorganizava. Ladri di Biciclette é tido como o mais belo filme italiano já feito, e alguns o colocam como um dos mais importantes da história. Com relação à sua influência, os italianos costumam dizer para os franceses que a Nouvelle vague é muito bacana, mas só que eles já a haviam inventado uma década antes.





Título Original: Ladri di Biciclette
Ano: 1949
Diretor: Vitorio de Sica
País: Itália
Awards: Locarno International Film Festiva / National Board of Review / New York Film Critics Circle Awards / Academy Awards / British Academy of Film and Television Arts / Bodil Awards Copenhagen / Golden Globes / Cinema Writers Circle Awards Espanha / Kinema Junpo Awards Japão 

Basquiat Traços de uma Vida




Bom filme que mostra a peculiar carreira do artista alternativo americano Jean Michel Basquiat, cujos domínios se estendiam da música à pintura, grafite, instalações, e poesia; sempre com um estilo primitivo e expontâneo mas também energético e inovador. Quando o midas da pop art Andy Wharol  se encantou com sua obra, Basquiat tornou-se um sucesso instantâneo, chegando a ser a capa do New York Times. David Bowie, que trabalhou com Basquiat em vida, faz um ótimo Andy Wharol.



Esse filme dá também um bom panorama da efervescência cultural de Manhatan, e sobretudo East Village, que marcou o final dos anos 70 e 80, quando praticamente, tudo que fosse novo era o Hype da semana. Foi o auge do CBGBs, das galerias de arte, Punk-New Wave, (e da No wave !), e do experimentalismo nihilista que arrebatava os corações dos modernos. Depois disso, cada mega cidade do mundo passou a possuir um bairro que emula a cena: uma área que já foi decadente, é invadida por artistas e descolados, burgueses afins, se enche de galerias, endereços da moda, etc, etc.

O filme tenta penetrar no aparato psicológio do jovem pintor, sua força criativa, suas idéias simples, honestas e ingênuas, e que criou um estilo durável e influente. O que seria da programação visual da MTV nos primórdios sem a referência do cara ? O filme conta com uma ótima trilha, e algumas participações curiosas, como a viúva bagaceira Courtney Love.

                                     


Título original: Basquiat
Ano: 1996
Diretor: Julian Schnabel
País: USA
Awards: Festival de Veneza / Independent Spirit Awards / Political Film Society  USA / National Board of Review USA



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