quarta-feira, 15 de abril de 2015

Contos da lua vaga






No Japão medieval assolado por uma guerra civil, dois casais provincianos terão a vida transformada quando seus respectivos chefes decidem deixar o vilarejo em que vivem, constantemente atacado por milicias, para tentar a sorte como comerciantes na cidade vizinha. É o início de uma fabula moralizante, porém extremamente bem realizada pelo mestre Kenji Mizoguchi.





Mizoguchi é considerado um dos grandes do cinema japonês e mundial. Extremamente prolifico, rodou este filme nos últimos anos de sua carreira, quando sua imagem no japão do pós guerra estava bastante arranhada por colaboração ideológica no conflito. Em contrapartida, ele acabava de ser descoberto no ocidente, e foi imediatamente saudado como gênio, sobretudo pela turma do Cahiers du cinéma, (principalmente Jacques Rivette, Jean-Luc Godard,  Éric Rohmer). Não por acaso o diretor veio somar-se ao realismo italiano como influência direta na construção da Nouvelle vague anos mais tarde. 

Abordando os temas fantásticos recorrentes tanto no cinema japonês, quanto na cultura nipônica em geral, esse filme-monumento possui uma mise-en-scène de primeira, planos longos e bem estudados, iluminação prodigiosa, que são a marca estética do perfeccionismo deste diretor-mito, e porque não dizer, da própria identidade cultural japonesa.

Quem quiser ter outra porta de entrada no filme, que tal uma reflexão sobre como o Japão medieval estava em sintonia total com o modelo sócio econômico do ocidente, que começava na época também a migrar lentamente do modelo feudal para o modelo burguês ? E esse é um sub-texto importante do filme. Seria mesmo um acaso que hoje o Japão seja o mais ocidental dos países do oriente ou essa afiliação teve origens comuns há 5 séculos ? Boa peça de cinefilia.

Título Original: Ugetsu Monogatari
Ano: 1953
Diretor: Kenji Mizoguchi
País: Japão
Awards: Festival de Veneza



                      

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